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Quando se trabalha numa cultura cujo networking não é encarado de forma natural e onde o gate keeper, aqueles que normalmente restringem o acesso aos quadros superiores, ainda prevalece em grande parte das empresas, a utilização de uma plataforma como a LinkedIn parece-me óbvio.

Mas o óbvio vem sempre em torno de uma necessidade e felizmente eu tive essa necessidade já algum tempo. Não deve então surpreender que ainda exista muitos, mesmo registados no LinkedIn, que não vejam a mais-valia, vantagens e formas como um perfil na maior comunidade profissional possa a vir ter a sua utilidade.

LinkedIn, lançado publicamente no dia 5 de Maio de 2003, é uma rede social para profissionais, presentemente avaliada em $1 bilião de USD, já conta com 23 milhões de membros e continua a crescer. O valor é subjectivo pois tem mais a ver com a última injecção de capital no valor de $53 milhões de USD, mas a sua utilidade já não é tão questionável.

Mesmo que não ganhe nenhum prémio de design, e considerado por muitos como banal, é afinal de contas para uma utilização profissional não esperando que os seus membros tenham a necessidade de “pimp your profile”, até porque a idade média é de 41 anos.

Não, negócios não têm que ser banais mas o seu foco e crescimento orgânico tem em muito contribuído para o seu sucesso. Se não, vejamos.

LinkedIn, ao contrário da sua concorrência, optou por um modelo de negócios que desde o início tem dado os seus frutos, ou seja lucro. O que para todos os efeitos é um milagre se considerarmos que comunidades com 5 vezes o número de membros não conseguem nem pagar a conta de banda larga, quanto mais os custos inerentes a uma equipa de excelência ala Silicon Valley.

Até na forma como rentabiliza o seu serviço o LinkedIn diferencia-se de todos os outros. Em vez de estar à espera da salvação da publicidade, no qual só representa 25% da sua receita, os outros $75 milhões de USD vem de serviços de subscrição premium. Ou seja, muito semelhante a um site de encontros amorosos, LinkedIn recebe pelos seus serviços que aparentemente suficientes membros acham de valor – eu sou um desses casos e justifico facilmente. O seu maior cliente é assim a empresa de recrutamento que encontrou uma solução quase feita à medida.

A sua importância e relevância já chegaram à classe política e esse é certamente um dos sinais mais axiomáticos da sua entrada no mainstream. O senador McCain foi um dos primeiros membros a utilizar a ferramenta nova de sondagens, perguntando assim à comunidade LinkedIn, composta maioritariamente por profissionais, qual das hipóteses enumeradas por ele que têm o maior potencial para tornar gasolina comprável.

De facto foi uma forma de ganhar notoriedade através da interactividade de uma comunidade de nicho. Os resultados da sondagem, após o seu preenchimento, não só revelam a repartição das opções consoante os votos bem como a sua disparidade filtrada por tipo de cargo ou indústria.

A própria LinkedIn iniciou uma secção titulada Learning Centre para ajudar os utilizadores a conhecer os benefícios de pertencer ao LinkedIn e como actuar. Para principiantes, a área New User Starter Guide apresenta o LinkedIn passo a passo para um preenchimento mais eficaz do perfil de utilizador.

O blogue oficial mantém os membros informados nas várias actualizações e novas áreas a serem introduzidas fornecendo assim uma voz à comunidade para partilharem as suas opiniões ou pedidos de futuras funcionalidades.

Mas como a Web já nos habituou, existem formas diferentes para a utilização da plataforma além daquelas identificadas pela própria sendo que as mais interessantes acabam por se revelar através dos utilizadores. Desta forma, novos serviços on-line evitam uma explicação demasiado fechado sobre as suas funcionalidades esperando assim não só aprender com o utilizador bem como usufruir de uma utilização variada por parte de quem segue os early adopters.

Assim sendo, parece que Guy Kawasaki, autor e blogger prolífico, seja um ponto de partida para resumir as diversas vantagens em ter um perfil actualizado no LinkedIn. O intuito desta secção não é de explicar qual a função de LinkedIn pois o mesmo está mais que documentado on-line inclusivo no próprio site, mas sim observar as várias mais-valias vindas de um perfil actualizado – muitas delas o resultado da experiência de uma comunidade à procura de respostas.

LinkedIn é de facto uma ferramenta sobe aproveitada sendo que Kawasaki identificou as seguintes formas de aumentar o valor da participação no LinkedIn.

O número de ligações, ou pessoas conectadas a si, aumenta a sua visibilidade no site sendo que quanto mais tiver mais rapidamente aparece nos resultados de pesquisa. Numa altura em que reputação é factor determinante em decisões de recrutamento, o número de ligações bem como a qualidade das mesmas torna-se importante.

E aqui começa as diferentes escolhas que existem que de certa forma deverão reflectir a utilidade que pretende da sua presença no LinkedIn. Se por um lado pode seguir à risca as directrizes do site e só convidar aqueles que verdadeiramente conhece e está à vontade para os recomendar, o mesmo vai acabar por limitar o número de ligações podendo assim concentrar na qualidade e não na quantidade. Mostrando assim os seus contactos a terceiros pode demonstrar uma elevada notoriedade através da qualidade dos seus contactos.

Por outro lado, pode decidir tornar-se num open-networker onde convida e é convidado pelas massas. Claramente está a indicar a sua preferência por quantidade acima de qualidade não querendo dizer com isto que não tenha alguns contactos de “peso”. Inicialmente comecei com um núcleo de contactos assumindo que a credibilidade iria-me trazer vantagens mas rapidamente apercebi-me que, sendo o meu objectivo de conhecer o máximo numero de pessoas para aumentar a minha visibilidade, coloquei o meu e-mail visível para todos poderem me adicionar. O meu network cresceu e ao inscrever-me nos TopLinked.com rapidamente fiz crescer o meu network aparecendo mensalmente propostas de colaboração, pedidos de informação e um lugar nos topos de pesquisas que incluíam Portugal, Lisboa, Marketing ou obviamente Nuno Lopes.

Não existe a forma correcta ou incorrecta de utilizar o LinkedIn desde que respeite não só as directrizes do site bem como a confiança que os membros instauram em si ao divulgar os seus contactos.

Quanto mais informação colocar no seu perfil, mais hipótese tem de se ligar a pessoas que reúnem alguns interesses ou experiência em comum. No meu perfil adicionei não só as minhas empresas como a primeira em que trabalhei até 2006 que era a HSBC Markets em Londres. Anos depois, uma amiga que vinha a Portugal encontrou-me através do LinkedIn ao colocar o meu nome e HSBC Markets – é que afinal ela tinha sido minha colega.

A utilização de um link directo para o seu perfil na assinatura dos seus mails permite-lhe transmitir um histórico da sua experiência, habilitações e mais-valias ao enviar um e-mail. Imagine a estranheza em adicionar um CV em attachment cada vez que enviava um mail. Julgo que seria interpretado de forma errada sendo que no caso de um link, a credibilidade está implícita para quem tem curiosidade em saber mais sobre si – pode ser a diferença entre uma resposta e o lixo.

A primeira vez que me apercebi da minha presença on-line através do Google foi quando comecei um blogue e como cada artigo tinha tags e nome do autor, rapidamente passei a ser googleable – ou seja já me podiam encontrar com uma simples pesquisa de nome através do Google. Na realidade escolhi ser conhecido por Nuno Machado Lopes e não Nuno Lopes, escolha essa para evitar uma dura e longa batalha de ranking com o conhecido actor Português Nuno Lopes.

Através do LinkedIn, a minha presença cresceu e especialmente na pesquisa por diferentes palavras-chave. Após o lançamento de um Clube chamado Silk, tendo como opção manter o mesmo de baixo dos radares incutindo uma aura de exclusividade, quem procurava informação sobre o Silk Club acabava por me encontrar através do LinkedIn – eis uma surpresa total para mim na altura.

Para que se torne mais visível, Kawasaki recomenda tornar o seu perfil “Full View” e de usufruir da possibilidade de personalizar o URL do seu perfil para melhorar a pesquisa. Se é dado a comentar on-line em artigos, a utilização do seu URL do LinkedIn aumenta mais ainda a sua visibilidade. Utilizando os outros campos disponíveis no perfil para links, os mesmos podem contribuir para pesquisas on-line.

Será um aviso?

Um ex-funcionário da empresa de recrutamento Hays foi ordenado a revelar detalhes do seu perfil no LinkedIn. Mark Ions, criou uma agência rival e é acusado de utilizar o LinkedIn para se apropriar de clientes, mesmo que a própria Hays encorajava o uso do mesmo tal como enumeras empresas mundialmente.

Ions trabalhou na Hays durante seis anos e meio antes de partir para outro desafio que na altura da sua saída já a mesma estava criada à 3 semanas. Hays alega que enquanto Ions ainda exercia funções na empresa, o mesmo terá copiado e retido informação confidencial sobre clientes e contactos que pertenciam à Hays. A empresa insiste que Ions utilizou esta mesma informação para benefício da sua nova empresa violando o seu contracto de trabalho. Hays pediu assim em tribunal que fosse divulgado informações sobre Ions e a sua nova empresa para que pudessem utilizar a mesma caso decidissem interpor uma acção.

Hays já tinha analisado a conta de e-mail de Ions encontrando provas de que ele tinha convidado no mínimo dois clientes da Hays para se juntar ao seu network de contactos no LinkedIn. É suspeitado pela sua ex-entidade patronal de ter convidado vários outros contactos.

Dado o facto que LinkedIn é na sua maioria utilizado por empresas de recrutamento, a defesa de Ions assenta nessa premissa e no facto que ele pertencia à comunidade profissional há mais de um ano e que foi nesse período que ele colocou ou que se determina como informação confidencial. É este o ponto em que todo o caso se centraliza. Mesmo que se utilize as novas tecnologias para melhorar o desempenho do nosso trabalho, e inclusivo com o consentimento da entidade patronal, a quem é que pertencem estas informações supostamente confidenciais – especialmente neste caso, aparentemente ténue, que se rege em torno de contactos?

A opinião do Justice Richards é que dado o facto que a informação era confidencial (os contactos), as acções de Ions ao importar as moradas de e-mail constitui um acto de transferência de informação para um site onde por menos os detalhes das moradas que aceitaram o convite para se ligarem a ele seriam acessíveis por ele após a terminação do contracto laboral. O facto que o mesmo beneficio o próprio e não a Hays pouco ajudou a sua defesa. Mesmo que a importação tenha sido com o consentimento da Hays a sua utilização seria limitada enquanto exercia funções na mesma.

Mesmo que o caso venha a ter consequências na forma como os seus membros utilizam contactos, podendo assim abrandar substancialmente o crescimento do site, a LinkedIn aceitou o pedido para guardar toda a comunicação e convites enviados e aceites enquanto se aguarda o desfecho. Provavelmente assumiram melhor colaborar em torno de aumentar a publicidade menos favorável e desta vez parecem ter soprado algo que podia facilmente ter revoltado a comunidade – isto se a mesma está atenta.

Mas a questão mais pertinente é: afinal a quem é que pertencem os dados adquiridos durante uma carreira que pode atravessar vários anos e umas quantas empresas? Certamente poucos membros analisam desta forma aquando o envio de um convite após ter conhecido uma pessoa interessante no seu dia-a-dia.

Numa altura em que cada vez mais formamos relações com pessoas e não empresas, como é caso de gerentes de balcões no sector financeiro – afinal são eles que nos vão ajudar, ou não, escolhendo assim esconder-se por detrás das políticas internas. Este caso podia-se considerar preocupante caso o Ions não tivesse aberto a sua empresa algum tempo antes de terminar a sua relação profissional com a Hays, contudo, bom senso parece não bastar.

Ao entrevistar uma pessoa para o papel de comercial, uma das suas “claras vantagens” era a carteira de clientes que trazia. O meu sorriso foi interrompido momentaneamente por uma visão num muito próximo futuro com a mesma pessoa sentada à frente de um meu concorrente – com o mesmo “rebuçado”. Mesmo que tivesse ficado decepcionado pela atitude, é uma realidade de há muito e uma que não devíamos dar importância pois contactos tem pouca ou nenhuma validade quando não se proporciona valor acrescido para o mesmo.

Quando o nosso serviço e/ou produto é diferenciador e excelente, falta de contactos certamente não será o problema. Contudo o que mudou foi os métodos de transferência de informação (contactos neste caso) dado que a facilidade concebida pela utilização de tecnologia permite um detalhado rasteiro de movimentos de informação – melhor manter os contactos no papel – será sempre mais seguro. Todavia eis mais um exemplo da necessidade de rever el modus operandi.

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