in iPhone

iPhone Console

No domingo, dia 13 de Julho de 2008, a Apple anunciou que 10 milhões de apps (aplicações) tinham sido descarregadas através da App Store (loja de aplicações para o iPhone).

Pouco mais de uma semana depois 25 milhões de apps já tinham sido descarregadas demonstrando o verdadeiro potencial do iPhone e o sucesso do modelo de negócios criado pela Apple, ou seja Steve Jobs.

Nem todos percebem ainda o quanto importante for o lançamento do iPhone para um Mercado que aparentemente já não suportava um novo concorrente. Mas é nestes casos que os agentes de rotura mais vingam pois enquanto a Nokia, Ericsson, Samsung e outros lutavam pelo mesmo mercado da mesma forma, todos pareceram abstraídos do facto que o utilizador só utiliza 20-25% das funcionalidades do seu telemóvel.

iPhone ConsoleAnalistas já em 2007 avisavam que para uma maior utilização de dados, o mercado iria ter que assistir a uma diminuição de preços bem como uma simplificação dos serviços e funcionalidades oferecidas. Apple já se tinha apercebido da oportunidade não só pelos estudos bem como pela sua própria experiencia com o iPod e a sua simplicidade e nova abordagem à usabilidade dos seus leitores. Os resultados não podiam ser mais conclusivos – design sim, mas não ao custo de usabilidade e intuito.

Mas o iPhone não veio só revolucionar o já deveras concorrido mercado de telemóveis, proporcionando a empresas a oportunidade às marcas de adquirirem utilizadores en mass redefinindo modelos de negócio.

A Pandora, o sistema automatizado de recomendações de música e estações de rádio com base nas opiniões da própria comunidade, atingiu 350 mil apps descarregados, na primeira semana, para utilização no iPhone. Sendo que o serviço requer um registo por parte do utilizador e o número de novos registos tinha atingido um plateau de 12,000 subscrições por mês noutras plataformas, verifica-se o impacto que 350 mil registos tiveram e num período de uma semana. A oportunidade de rentabilidade através de uma aplicação gratuita bem como a forma inovativa de incluir publicidade à já enorme base de clientes existente, é formidável.

iPhone ConsoleMas o impacto do iPhone não acaba aqui – nem de perto. A pesquisa móvel está a ser redefinida pelo novo telemóvel e quem o diz e nada mais nada menos que o próprio Sergey Brin do Google na sua recente conferência de resultados da segunda metade do primeiro semestre, estimando que “utilizadores do iPhone efectuam 30 vezes mais pesquisas na Web que utilizadores de outros aparelhos.”

Quando o iPhone foi lançado em 2007, tornou-se óbvio que o mesmo teria um impacto devastador no status quo de telemóveis, especialmente nos Estados Unidos onde operadores têm abrandado a inovação. Muito menos óbvio seria o facto que o iPhone iria rivalizar as consolas móveis da Nintendo DS e Sony PSP não só em hardware mas também no seu próprio modelo de negócios.

O iPhone beneficia de ser 3 anos mais novo que os seus concorrentes deste segmento – é que a Nintendo DS e Sony PSP foram lançados em 2004, a N-Gage, lançada em 2003, ficou muito a quem das suas expectativas. No que concerne à Microsoft e a sua tentativa em 2005 de lançar a Gizmondo, com base no WinCE, nunca se vai saber se o seu fim teve a ver com escândalos de ligações a teia de crime da Suécia, o facto de ser votado a pior consola de sempre ou uma combinação e mais um tanto.

A Apple já vem a desenvolver jogos para o iPod desde 2006 podendo assim transferir o know-how para a plataforma do iPhone usufruindo de um já testado e seguro sistema de software digital, fornecido e actualizado através do iTunes. O iPhone traz grandes vantagens sobre os seus concorrentes não só pelo preço ao público, substancialmente mais alto permitindo à equipa de desenvolvimento um orçamento bem superior com a vantagem de ultimo para mercado – uma tecnologia mais avançada quer na memoria, quer no écran e memoria disponível. Como SmartPhone já o provou deixando os jogos assim para um mercado secundário que pode bem se tornar tão lucrativo como o de telemóveis.

Até agora a Apple tem se mantendo envolvida indirectamente no retorno financeiro da utilização de aplicações de terceiros, mas por quanto mais tempo? Sem dúvida alguma que a Apple tem acelerado o mercado de telemóveis adicionando oportunidades incomparáveis à sua já estabelecida concorrência, mas estamos ainda no início. Para quem criticou o iPhone pela falta de 3G (entretanto resolvido) e bateria incorporada (sinceramente não necessito de mais um aparelho que de vez em quando necessita de se retirar a bateria para funcionar), não perceberam a visão global de uma empresa vencedora.

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