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3D

Mesmo que nos tentem convencer da novidade que é 3D, não podemos esquecer que o mesmo já existe há mais de 5 anos. Em 2006 estive no Plasa Show em Londres onde a Panasonic demonstrou o poder da publicidade a flutuar no ar, mesmo que na altura tivéssemos que nos colocar sobre um X no chão para conseguir ver Persil a passar-nos ao lado – literalmente.

2011 era para ser o ano em que 3D finalmente vingava no mercado já saturado de LCDs – por menos essa era a esperança de todas as marcas que escolheram lançar as inúmeras versões de LCDs e leitores de 3D bem como câmaras que filmão neste formato (profissional e semiprofissional). CES 2011 foi aliás dedicado às 101 tablets lançadas e ao 3D – e no que concerne às tablets, já sabemos o que aconteceu – nada.

As expectativas são grandes – previsão de 3.2 milhões de televisões 3D vendidas em 2011, 90 milhões até 2014 e um valor acrescido de €150 por unidade pela funcionalidade de 3D (óculos não incluído). Mesmo que a industria acredite que 3D seja a sua salvação numa altura em que LCDs tornaram-se numa autêntica commodity, a escolha é deverás complexa e isso está a fazer com que em grande parte a maioria espere até perceberem mais e até existir mais conteúdo em 3D.

Mas para quem está a contemplar investir em 3D, deverá ter em conta alguns factores. A simplicidade de ver um filme em 3D num cinema não se transporta para a nossa casa. Inicialmente, vai ter que perceber o que pretende mesmo, qual o hardware necessário, onde vai encontrar conteúdo e acima de tudo, não deverá criar expectativas muito altas, quer na qualidade de imagem, quer na seleção de conteúdo disponível hoje ou num futuro próximo.

Muito como o inicio do HDTV, LCDS 3D entraram no mercado com um preço premium o que é de esperar. O problema é que a industria não conseguiu entusiasmar nem a imprensa, e subsequentemente, nem o consumidor, sobre o valor acrescido de tal tecnologia. As diferentes opções e a complexidade das mesmas também não veio ajudar. Enquanto alguns apostam em 3D através dos óculos, outros acreditam que o futuro é 3D direto. O próprio mercado de óculos veio trazer a sua própria dose de complexidade e confusão.

Mas a compra não fica pelo LCD. Vai ter que comprar um leitor Blu-ray 3D, mudar os cabos, provavelmente a sua box, investir nos óculos e não poderá por fim esquecer a importância do som. É que 3D com o som normal de um LCD não faz justiça à verdadeira experiência envolvente. Na compra dos óculos, deverá contemplar no mínimo um par para cada membro da sua família e não se esqueça de incluir mais uns tantos no orçamento quando decidir convidar os amigos para virem ver um jogo de futebol em 3D.

Os óculos utilizam quase todos uma tecnologia chamada active shutter tecnology – LCDs em cada óculo abrem e fecham para que cada olho veja uma imagem diferente cabendo ao seu cérebro fundi-las numa só imagem criando o efeito 3D. A falta de estandardização no mercado implica que em grande parte, os óculos para um LCD 3D não vão funcionar com outra marca, salvo aqueles mais caros que se adaptam ao equipamento a ser utilizado.

Um dos grandes impedimentos neste momento é sem dúvida alguma a falta de conteúdo. Blu-ray DVDs são ainda poucos e o investimento em canais dedicados a 3D não é ainda suficiente dado que os mesmos estão à espera de uma maior adopção por parte do cliente para que o investimento seja viável – o típico cenário onde um está pendente do outro.

Não é um dado adquirido que vai até gostar do que vê quando montar o seu sistema de 3D em casa. No melhor cenário, vai de facto conseguir recriar o efeito de cinema em 3D em casa mas não vai sempre gostar do que vê. Avatar, o melhor exemple de um sucesso de filme em 3D, demonstrou que 3D é mais uma arte que propriamente um gadget. No seu pior, vai levar com conteúdo que poem em questão a sua necessidade ou não de utilizar óculos, especialmente quando tiver a ver programas que foram upconverted, ou seja, adaptados de 2D para 3D criando uma ilusão de figurantes de papel presos num mundo virtual tridimensional.

Por todas estas razões, será melhor iniciar-se no mundo de 3D em pequenos passos. Se por acaso estiver no mercado para um novo HDTV, poderá assim considerar um LCD 3D dado que o mesmo funciona em 2D. Quando estiver para comprar um leitor de DVDs, poderá fazer o mesmo, evitando assim investir na revolução 3D no inicio. Quando tiver tudo que necessita para uma verdadeira experiência 3D, já deverá existir muito mais conteúdo.

Por fim, só irá ter que ajustar o seu cérebro para aguentar a confusão que 3D é e a pressão que o mesmo coloca na sua cabeça para que a ilusão de 3D pareça verdadeiramente 3D – isto num mundo que já é por si 3D. Recomendo uns comprimidos para a dor de cabeça.

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