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Eric Schmidt Le Web

Depois de algumas intervenções e almoço, foi a vez de Eric Schmidt, executive chairman da Google. Schmidt abordou os três temas da conferência – social, mobile e local. Schmidt explica que todas as novas aplicações vão ter as três componentes, sendo que vivemos num contexto local, utilizamos mobile para nos orientar e porque estamos em constante movimento e as redes sociais aumentaram substancialmente o aspecto social online. O computador é agora uma espécie de appliance (eletrodoméstico) que já não necessita de terceiros para montar, configurar e começar a utilizar.

Loic, de regresso como anfitrião, inicia a conversa (programada) com a pergunta se tudo isto não passa de uma moda. Programado, pois fizeram questão de frisar que Schmidt faz questão de não saber as perguntas antes do evento e de não saber para onde segue o conteúdo do mesmo.

De salientar que quando me dizem algo que parece-me óbvio, fico sempre com a ideia que o que está acontecer é exatamente o inverso. Umas referencias sobre a necessidade de transparência e seguimos para uma demonstração programada sobre o novo sistema operativo de Android (Google) intitulado Ice Cream Sandwich. Schmidt explica que cada versão de Android segue o alfabeto – Honeycomb (H) seguido de Ice Cream Sandwich (I) – falta agora saber a próxima versão que irá certamente começar com um J. Interessante…

Hugo Barra volta a mostrar-nos tudo revolucionário no novo sistema operativo lançado recentemente. Novidades incluem facial recognition para desbloquear o telemóvel – basta olhar para a câmara e o aparelho reconhece o seu “dono”; o sistema de multi tasking, o melhoramento dos widgets e a importância que os mesmos têm agora ao lado dos apps. Engraçado que ao ver as novas funcionalidades, fiquei a querer algumas no meu iPhone mas sem que tivesse que mudar para Android. Algo que imagino a maioria de utilizadores de Android também sentem sobre algumas funcionalidades do iOS da Apple. Com tempo, ambos vão integrando estas novas funcionalidades o que faz com que não se tenha que mudar por razões de utilidade.

Schmidt explica que a tendência anterior era de ver telemóveis como computadores quando na realidade eram, e são, aparelhos para comunicar e é para ai que a Google segue com Ice Cream Sandwich. Social está completamente integrado nesta versão especialmente no melhoramento da secção de contactos que agora depende de ambos os lados para se manter atualizado.

Quando decidir ligar alguém, o numero de telemóvel será aquele atualizado por quem eu vou ligar. Mais e mais informação social vai poder estar integrado com a maior adopção e utilização dos APIs.

Do telemóvel que Hugo demonstrava (Samsung Nexus) passa para a tablet para mostrar como se grava uma imagem movendo a tablet, para criar uma fotografia panorâmica em alta resolução. Voltando para os smartphones, Hugo demonstra NFC (near field communication) juntando os dois telemóveis, de costas viradas, pressionando num botão para transferir informação. Confesso que fiquei baralhado com a questão de Near (perto) e Joint (unido) especialmente tendo em conta o exemplo de duas pessoas num autocarro que querem partilhar algo de um telemóvel para outro – será mesmo necessário acasalar para transferir conteúdo? Estamos perante uma nova definição de near? Mais uma vez, Google acredita veemente nos APIs e no irá ser feito por terceiros para alavancarem a tecnologia.

Schmidt fala um pouco sobre a evolução de local utilizando o exemplo de um centro comercial – algo que até agora, não se assumia como um edifício com múltiplos espaços em diferentes níveis. Agora, local vai mais longe, demonstrando, caso tenha wi-fi ligado e dê a autorização, em que loja está, em que piso e/ou em que direção segue – níveis diferentes de informação.

Schmidt dedica algum do seu tempo a falar sobre as futuras tendências e o trabalho que faz hoje em dia a demonstrar aos diferentes governos a importância da internet. Algo que obviamente serve os interesses de Google. Ontem Schmidt tinha falado com o Presidente Francês sobre a importância de tecnologia mas acima de todo, em resultado do enorme investimento que Google está agora a iniciar em Paris.

Schmidt liga a política à tecnologia e as repercussões. Os diferentes governos e a sua regulamentação e administração estão sob tensão pois os incentivos e mecanismos não foram bem concebidos. A possibilidade de recessão na Europa é obviamente uma preocupação para Google até porque a tecnologia (high end) está no lado aposto com um crescimento acentuado. As experiencias virtuais e reais estão a ser ainda muito diferentes – a virtual experiência cria enormes expectativas e normas que depois não correspondem com o que acontece no mundo físico. Com o aumento acentuado de utilização de smartphones ambos os mundos vão ter que se encontrar no meio criando um maior equilíbrio.

Em vez de termos um multi purpose device, já nos apercebemos que a realidade é outra – vários aparelhos que têm um propósito especifico – A convergência da nossa inteligência e emoção com o que os computadores fazem, ou seja o processamento e optimização de dados.

O seu telemóvel irá lhe propor algumas sugestões, prever o trafego e avisar-lhe onde os seus amigos estão mas é o utilizador que gere os movimentos e decisões para que cada vez mais, a informação seja relevante – o perigo é de perdermos o elemento de surpresa e de descoberta.

No Médio Oriente, social media forneceu as ferramentas para quem verdadeiramente vivia e contribuía para as revoluções. Mas começar um revolução é muito diferente que acaba-la. É que a mobilização online e offline não produz necessariamente o líder pretendido ou necessário – Egito.

A França levou mais de 100 anos para chegar a democracia mas presentemente, as expectativas criadas pelos utilizadores requer que a mudança seja rápida e ai está um dos problemas com as expectativas do virtual. Se Facebook criou o movimento e a revolução, Twitter ajudou a retira as pessoas dos diferentes locais e YouTube foi a forma de registar os resultados.

A conversa foi interessante especialmente quando nos apercebemos que todos os Países querem um Silicon Valley. Mas falta investimento e falta as infraestruturas, nomeadamente locais para que empreendedores se juntem. Em Lisboa, Após o Silicon Valley Comes To Lisbon, a cultura também aparece como um bloqueio à inovação.

Foram várias as perguntas que a audiência colocou a Schmidt, mas tinham quase todas o mesmo teor – para quando melhorias na plataforma para developers de Android, o que Google Plus deveria ser e porque Google TV falhou. As respostas tinham todas algo em comum – nos próximos 6 meses veem todas as melhorias e tudo ficará bem. Adoro previsões e promessas de um melhor futuro. Única coisa que não acredito é que a meio de 2012, todas as televisões vão ter Google TV integrado.

httpv://www.youtube.com/watch?v=t02iJn5Ypio

 

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