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Sean Parker na Le Web

Muitos desconheciam Sean Parker até verem o filme sobre Facebook, The Social Network, e graças ao nível de coolness de Justin Timberlake, a sua persona criou um grande impacto – ou ficaram a odia-lo por ter destruído a relação dos verdadeiros co-fundadores de Facebook, ou ambicionam ser como ele – novo, irreverente a viver a vida no limite.

Eu fiquei dividido mas sempre fascinado em vê-lo ao vivo e chegou assim a altura de ser confrontado com o verdadeiro Sean Parker, neste caso com Shervin Pishevar, Managing Director de Menio Ventures com Alexia Tsotsis, blogger do Techcrunch a moderar/facilitar a conversa. Neste caso Alexia veio mesmo dificultar a conversa.

Os primeiros 5 minutos pareciam matar por completo esta sessão – Alexia perguntava a Parker e Pishevar, sobre uma reunião secreta que acabavam de ter na Casa Branca em torno do empreendedorismo. Nem as respostas mais que vagas ou períodos desconfortavelmente silenciosos, impulsionaram a facilitadora a passar à frente. Parker assume o rumo e abruptamente responde que não só era confidencial como também nem tinha sido na Casa Branca. Um sorriso bimbo e pouco inteligente de Alexia faz-me pensar novamente: quem é esta Alexia, qual foi a ideia de a escolher e quando vai acordar?

Alexia faz assim a próxima pergunta a Parker, depois de deixar cair que ele vale $2.1 biliões de USD – como escolhe onde investe? A resposta de Parker não melhora o inicio deste painel. “Não sou investidor, mesmo que faça investimentos com o meu próprio fundo”. Alexia demonstra novamente a sua inata incapacidade de lidar com o Parker – o silêncio do seu buddy Pishevar pouco ajuda. Mas felizmente tudo começa a melhorar só descarrilando no fim novamente, por uns breves momentos.

Parker é uma personagem polida, ponderada e megalómana – já no inicio, tinha dito que a sua equipa de PR avisava-o sempre para se manter “on topic”, ou seja, para responder somente de forma a cumprir com os seus objetivos da sua presença. Já no dia anterior, só se ouvia falar, não da festa oficial de LeWeb, mas sim a mais que privada e exclusiva festa de Sean Parker – o filme The Social Network afinal ajudou em muito na criação deste mito – work hard and play even harder.

Parker falou um pouco sobre o excesso de dinheiro em fundos para investir em empresas, mas demasiadas poucas que mereciam qualquer investimento. Parker só está interessado no próximo Facebook, Google e Twitter. Tudo o resto não lhe interessa a ele, nem ao seu fundo de $650 milhões de USD. Pishevar vai sorrindo, abanando a sua cabeça em conformidade com tudo que Parker diz, falando só quando Parker o incita. Pishevar cumpre na sua perfeição o seu papel de Sideshow Bob (assistente de Krusty The Clown nos Simpsons).

Pishevar procura de igual forma negócios com objetivos grandiosos explicando que leva tanto esforço para gerir um café da esquina, como gerir a empresa Starbucks e todas as suas milhares de lojas. Percebo o que ele quis dizer, afinal só existem 24 horas por dia, mas o exemplo parece-me um pouco descabido – algo só possível num palco como este, e ao lado de alguém como Parker.

Pishevar continua que estamos numa era de transição e que os mais velhos devem se retirar para dar o seu lugar à nova geração (dele). Ele acredita que o mundo está agora numa fase de start-up e a nova geração preparada para a liderar, mas sem as instituições do passado – “we want to disrupt them”. Parece o objetivo de Parker quando ajudou a destruir a industria discográfica com o seu Napster – partilha de música pirateada – algo que ele agora, ironicamente, descreve como o negocio que nunca conseguiu aplicar o modelo de negócios com que tinha sonhado – um serviço pago. Parece estar a sofrer de amnésia.

Interessante que Parker decide explicar por uns momentos a importância de amnésia, sem que haja alguma ligação com o anterior falado, – amnésia de sucesso onde esquecemos os sucessos do passado atacando cada novo desafio como se fosse o primeiro enquanto amnésia de falhanços permite não nos pendurarmos em tudo que falhámos no passado.

Parker explica a dificuldade de encontrar, nas empresas, uma equipa completa – por exemplo, um excelente líder de engenharia que consegue programar mas também recrutar, preparar e gerir um aumento exponencial de programadores para a sua equipa. Parker não gosta de investir nas empresas sem que se envolva na sua evolução, mas o mais recente exemple de uma empresa sua vendida a Facebook (Gowalla) demonstra que nem sempre é assim tão fácil. Afinal, Josh Williams, fundador de Gowalla, sempre ignorou a sabedoria do Parker – “It’s Sean Fucking Parker” dizia-me um VC de Israel nos corredores de LeWeb. Como podia Josh fazer isso? Parker acredita que Faccebook vaio salvar Gowalla de um futuro negro – mas Parker “loves” Josh. Claro.

Parker dá uma pequena cotovelada a Pishevar e o mesmo começa a falar sobre a importância de falhar, pois com cada falhanço, perdemos o medo – “Fear becomes finite, hope becomes infinite. We are not afraid of death…” Algo que provavelmente Steve Jobs acreditava até ser confrontado com a probabilidade de viver menos tempo que esperava. Acho este tipo de afirmação sempre muito pobre e desrespeita aqueles que na verdade enfrentam ou enfrentaram a morte. A minha contribuição filosófica a um momento filosófico de Sideshow Pishevar.

Parker mantem a sua forma ponderada e pausada de falar mesmo quando fala sobre Spotify, a empresa que conseguiu integrar o seu serviço de music streaming na comunidade mundial de Facebook – um crescimento pontual que levou já a 7 milhões de utilizadores. É a única altura em que Parker quer falar de Napster explicando que Spotify é a sua oportunidade de redenção – de salvar a industria que ele inadvertidamente ajudou a destruir – este é afinal o novo Sean Parker – icónico empreendedor e mentor de Silicon Valley.

Parker oferece-nos, de forma muito humilde, uma autoproclamada opinião da industria discográfica de hoje. A melhor música não está a ser criada presentemente – o mecanismo que leva a música aos seus ouvidos é incapaz de tomar riscos e assim divulgar aqueles artistas que verdadeiramente estão a criar a melhor música de sempre. Só depois de inúmeros sucessos é que as editoras investem nos artistas enquanto mantem-se por perto do mais seguro de estratégias – o pop descartável.

Para a verdadeira música conseguir se tornar viral e chegar às massas, deverá de existir um nível de serviço de streaming music gratuito para ajudar a descoberta. Parker acredita que o modelo da Apple não suporta a distribuição social de música e assim verificamos a razão pelo qual o serviço social de iTunes (Ping) nunca funcionou. Como Parker tem sempre um propósito para tudo que faz e diz, não devemos estranhar que ele explica que Spotify, da sua carteira de investimentos de um não-investidor, será assim a solução a este enorme desafio.

Voltamos depois a mais um pouco de conselhos para os empreendedores na sala – a razão pelo qual estamos todos aqui. Parker relata que o maior erro de Napster (ignorando a ilegalidade do serviço e as suas implicações) foi na contratação das pessoas erradas para a sua equipa. Ele era naive e acreditava sempre nos discursos polidos de quem nunca iria contratar hoje com o que sabe. Parker dá nos este precioso conselho: “Erradicar estes pestes como se fossem insectos – rápido e eficaz.”

Parker novamente puxa por Pishevar que tem estado calado simplesmente cumprindo com o seu papel suplementar. Depois do ultimo comentário de Parker, vem o contra efeito – uma história que demonstra que existe empatia, compaixão e humanidade neste duo – “it´s not about the money”. Pishevar responde a uma pergunta sobre o maior falhanço da sua vida com uma história pessoal – quando tinha a custódia dos seus filhos e decidiu abrir uma empresa. Com pouco mais sobre o assunto assumimos que acabou por gerir mal a família dado o seu sucesso empresarial. Mas chega de lágrimas.

Nem o Sean Parker estaria à espera do que se seguia quando pediram perguntas à audiência:

O Filho Que Parker Não Sabia Ter – Live @ LeWeb

Um rapaz explica que é filho de Sean Parker de 10 anos do futuro (não é erro meu) e que a sua mãe lhe contou que seria o filho do Sean Parker. Enquanto vai elaborando a sua história, o desconforto vê-se claramente na cara de Parker que olha para Alexia para que a mesma acabe rapidamente com o filme. Alexia está demasiada comprometida nesta história para notar no que acontece no palco. O rapaz afinal quer ir beber uns copos com Parker (Dad) e provavelmente vender-lhe a ideia da sua brilhante start-up.

Este é um bom exemplo de que uma abordagem arriscada com a pessoa errada é suicídio púbico. Nem a pergunta de Parker ajuda a por fim a este episódio. A tua mãe como é? Uma modelo Russa – Parker fica por uns segundos aliviado mas tudo isto está a demorar muito tempo. A sua equipa deve estar a pressionar a organização para acabar com esta fantochada mas o palco está isolado de tudo resto – a comunicação tem sido sempre através de papéis. Como sempre, é Parker que tem que acabar com isto e diz que tem que sair e não tem tempo (nem paciência).

As restantes e poucas perguntas, não vá existir mesmo um filho de Parker na audiência agora com coragem para o enfrentar, centram-se em torno da Política e Spotify. A ultima pessoa faz uma pergunta da praxe, leva Parker a dizer que lhe perguntam sempre isso e responde com algo completamente irrelevante e off-topic. O sinal para a organização que a festa acabou – Loic sobe ao palco e agradece a Parker e Sideshow Pishevar.

Gostei de conhecer o Parker. Uma personagem interessante que não me desapontou – pelo contrario.

httpv://www.youtube.com/watch?v=4Uwfcms5vxQ

 

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