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Pilotos

A FAA, Federal Aviation Administration, é a autoridade dos Estados Unidos, responsável pela aviação e para quem voa, conhecida pelas suas regras antiquadas e absurdas no que concerne à utilização de equipamento electrónico.

Parece que cada vez mais, menos podemos fazer durante a decolagem e aterragem – já me obrigaram a tirar os auscultadores e ficaram ao meu lado até eu desligar o meu telefone por completo – airplane mode já não basta. Mas ficamos todos a pensar o que aconteceu aos avanços na tecnologia. Será que o meu telemóvel ou tablet pode mesmo interferir com o equipamento a bordo?

Nick Bilton foi averiguar, primeiro perguntando à FAA, American Airlines, Boeing e inúmeros outros qual a razão. Pessoalmente, achei sempre que esta era a melhor forma de ter atenção de todos os passageiros, não fosse alguma coisa acontecer e não ouvirmos. Mas a FAA rejeitou esta como uma válida razão para obrigar os passageiros a desligar o seu equipamento. E que não haja duvidas que estão todos dispostos a obrigar o cumprimento destas regras, como Alec Baldwin aprendeu há pouco tempo.

Assim sendo, a única possível justificação prende-se com a descarga elétrica que cada aparelho emite. Bilton foi assim para os laboratórios da EMT, que verifica as emissões elétricas de gadgets que necessitam de passar os níveis aceitáveis para cumprir com as normas de saúde, segurança e interferência.

Para quem não sabe, cada aparelho emite sinais elétricos durante o seu funcionamento – normalmente audível e parecido com um bzzzzz muito baixo. Os laboratórios EMT são responsáveis para medir estes valores para que os aparelhos não sejam utilizados onde a descarga pode interferir – neste caso especifico, aviões- no aterrar e decolar, as alturas mais perigosos do voo.

Os aparelhos são testados, monitorizando a quantidade de volts por metro que são emitidos. A FAA exige que um avião aguente 100 volts por metro de interferência elétrica. Ao testarem um Kindle, o aparelho emitiu 0-00003 de um volt.

“The power coming off a Kindle is completely minuscule and can’t do anything to interfere with a plane,” explicou Jay Gandhi, chief executive da EMT Labs. “It’s so low that it just isn’t sending out any real interference.”

Como a FAA já ouviu estes argumentos, o seu raciocínio é que um poderá não ser problema, mas imagine dezenas de aparelhos ligados de uma vez só. Provavelmente ninguém pode utilizar estes aparelhos para que os pilotos e assistentes de bordo possam utilizar os seus iPads, equipamento padrão em várias companhias aéreas. Provavelmente não utilizam nestas alturas, mas parece caricato.

Mas a energia eletromagnética não soma, até porque se fosse esse o caso, não conseguíamos trabalhar nos escritórios onde existem milhares de aparelhos – iriamos necessitar de equipamento para nos proteger.

O que gostei mesmo de saber é que quem têm um pacemaker ou aparelho auditivo, não necessita de o desligar. No caso de pacemaker, julgo ser pouco recomendável interromper a utilização durante a decolagem e aterragem. Mas também fiquei a saber que posso fazer a barba, não tendo assim que desperdiçar aqueles minutos a olhar para o lado, ou Deus me livre, ter que falar com alguém no lugar ao lado.

Foi em 2006 que a FAA determinou que os aparelhos não podiam ser utilizados no decolar e aterragem, mas quando verificaram a emissão elétrica de uma maquina de barbear, permitido pela FAA, a emissão era igual a Kindle.

Ao que parece, a FAA sofre da mesma inércia e paranoia que a maioria das outras agencias governamentais, não vá um dia no futuro ser provado que afinal alguns aparelhos poderão ter sido culpados por algum acidente. Até algo mudar, melhor mesmo meter conversa e fazer um pouco de networking, nunca sabe quem poderá estar ao seu lado – pergunte a Richard Parkes Cordock, autor do Best Seller Millionaire Upgradeque teve a sorte de se sentar, num voo, ao lado de Sir Richard Branson e escrever assim o seu primeiro livro.

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