in SBX12

Sandbox Summary

Era a minha intenção escrever sobre os 3 dias da Sandbox Summit em Lisboa, aliás como já o fiz no CES 2012 e LeWeb 2011, mas confesso que tive alguma dificuldade por vários motivos.

Sandbox organizou um unconference, algo que como pode imaginar, revelou-se o contrario do que nos sabemos ser uma conferencia. Enquanto parecia ser desorganizado, os dois anfitriões conseguiam sempre manter os horários e entusiasmo revelando uma capacidade de adaptar o evento às necessidades e desejos dos Sandboxers.

Isto dificultou o tempo que necessitamos para escrever dado que nunca sabia bem o que ia acontecer. Por outro lado, cada período de tempo livre que existiu, alguém aparecia para nos conhecer, para perguntar, para partilhar. Não me lembro de estar num sitio 3 dias sem apanhar uma única seca – e falámos de tudo.

Por estas e outras, decidi escrever um único artigo com o rescalde de três dias cansativos em que não fiz muito, sem ser falar, ouvir e partilhar.

DAY #1

O primeiro dia começou lentamente dado que muitos dos Sandboxers estariam ainda a chegar, mas rapidamente, com os que estavam presente, iniciaram as apresentações – este não é lugar para tímidos. Não existia lugar algum para se esconder, e caso tentasse fugir a algo, seria rapidamente apanhado, como foi o meu caso, quando decidi fugir à fotografia individual.

Iniciaram as apresentações e o fundador deu as boas vindas, mas mais importante explicou para onde vai Sandbox. Um plano muito inteligente. Para eles.

Se agora existem só 600 membros, o objetivo deste network é de aumentar nos próximos 2 anos para 3,000 composto por empreendedores com menos de 30 anos e os seus mentores. O objetivo é de criar um fundo de investimento, e assumo eu, fazer com que a Sandbox seja a cola entre os empreendedores e as suas ideais, e os investidores e o seu dinheiro.

Uma espécie de speed dating mas para networking seguiu, e muito que não goste de participar neste tipo de atividade, a realidade é que depois de uma hora já conhecia a maioria das pessoas lá.

O restante do dia foi em grupos que tinham atividades planeadas para fora do Mude – museu de design e moda. Alguns foram ver fado, outros para o Castelo de São Jorge, outros foram ver como as sardinhas aparecem nas conservas, e um grupo foi ver o grafite espalhado por Lisboa dado que a Câmara Municipal de Lisboa abraça o grafite – sério? Eu fui ver os startups Portugueses – fica para um proximo artigo.

Para quem estaria à espera de ver mentes brilhantes no ativo, devem ter ficado desiludidos, pois o grupo parecia-se mais com uma visita de estudo de uma enorme turma. Mas que não haja duvidas algumas que este dia foi a preparação para o que viria nos dias seguintes.

A criação de uma comunidade, e neste caso o grupo parecia mais uma tribo, para ter sucesso, necessita de um grau de intimidade, confiança e cumplicidade, só possível quando as dinâmicas do grupo o permitem. No final do primeiro dia, o objetivo foi claramente alcançado – o grupo parecia já se conhecer há anos. A noite acabou no Silk com mais conversa, mas nunca se viu as mesmas pessoas a falar com os mesmos.

DAY #2 & DAY #3

O formato dos seguintes dois dias foi igual. Alguns Sandboxers tinham previamente enviado sugestões para algumas sessões, e após aprovação, os selecionados acolheram aqueles que estariam interessados em ouvir, falar e partilhar.

Sandbox

Os tópicos eram diversos e alguns à beira do bizarro, mas havia sempre algo que fascinava e criava alguma expectativa. Um deu aulas de natação mas sem água, outro exigiu que trouxessem uma banana para participar na sua sessão de combate aplicado aos negócios, outro descrevia a sua experiência como recrutador para a Google, e assim passou o tempo.

Opinião

Sandbox não é local para partilhar contactos através da troca e cartões de visita, aliás os cartões eram proibidos. Nós tivemos acesso a internet mas os restantes ficaram com a ideia que o mesmo não existia, afinal o objetivo era deixarem as rotinas do dia-a-dia para trás.

Sinceramente tenho grandes dificuldades em explicar a mais valia de alguém participar neste tipo de unconference se pensar numa ótica de ROI (return on investment).

Mas a realidade é que fiquei num permanente estado de transe, flutuando de grupo para grupo, de conversa para conversa, quase como se tivesse a ver televisão sozinho mudado os canais, todas as vezes que ficava curioso com o que acontecia no outro lado da sala. Ia flutuando de conversa para conversa e umas vezes ficava parado a observar, mas nunca sozinho por muito tempo. Ou ficavam com pena de mim, ou estariam mesmo interessados em saber quem eu era e o que fazia.

O sentido de comunidade manteve o ambiente saudável, alguns disparavam comentários disparatados mas ninguém os gozava ou os criticava. Incrível de ver uma disparidade de feitios de pessoas que chegavam de todos os cantos do mundo, em harmonia.

No fim percebi que não conseguiria alguma vez definir qual o retorno de tal conferencia mas que voltei todos os dias, voltei e gostei. Não sinto saudades de ninguém pois não fui nas atividades promovidas para tal efeito mas vi que muitos vão ficar com pena de deixar os seus novos amigos para trás.

Todos tinham muito em comum – as mesmas necessidades, receios, duvidas e desafios. Ouvi todos explicarem os seus projetos com uma enorme paixão e segurança, impossível de separar aqueles que teriam a ter um enorme sucesso dos que estariam a ter dificuldades em sangrar. Nunca ouvi ninguém referir a questão de dinheiro. Tabu? Não. Esta gente não se move pelo dinheiro, move-se pela paixão, pelo desafio, pela sensação de pertencer a algo e contribuírem para tal. O dinheiro será certamente sempre um after thought.

Se valeu? Valeu. Se recomendaria? Não. Quem esteve lá não foi recomendado. Teve a iniciativa de pesquisar e juntar-se a mais um movimento que pretende mudar o mundo, passo a passo.

Quero agradecer à equipa da Beta-i pelo convite, por tomarem conta de mim, por organizar eventos de enorme qualidade e por não desistirem de tornar Portugal num hub de inovação. Muitos vão ter que agradecer ao esforço deles provavelmente sem saberem como tudo isto começou. Além do Sandbox, Bet-i também foi responsável pela excelente organização do Silicon Valley Comes To Lisbon em 2011.

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