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Attention Overload

Num mundo digital que está em constante mudança  oferecendo cada vez mais, múltiplos canais de televisão, inúmeras redes sociais, rádios tradicionais e online, e-mails, instante messaging, sms, chamadas telefónicas e milhares mais distrações, o que falta mesmo é um nível de atenção capaz de lidar com todo este ruido.

Se está com dúvidas, faça agora o teste – leva 1 minuto:

httpv://youtu.be/Ahg6qcgoay4

 

Percebeu o problema?

O resultado de todas estas distrações levou a que muitos digam que vivemos neste momento numa “attention economy” (economia de atenção). Mas esta economia parece não ser diferente das outras pois tem de facto também um deficit – deficit de atenção. O numero de opções, ou escolhas, inteligentes que consegue fazer são limitadas.

Barry Schwartz, no PC Forum há uns anos atrás já dizia que “as pessoas estão tão submergidas com as opções atuais que em vez de se soltarem, tendem ficar paralisadas… com todas as escolhas, a pessoa até pode fazer a melhor escolha mas em alguns casos sentirem-se pior”.

A abundância (estamos também na era da abundância) de escolhas cria um maior nível de expectativa o que muitas vezes resulta nas próprias pessoas culparem-se a si próprias pela pior escolha.

Schwartz continua, que “quando existem só duas opções de um produto e a que escolhe não é perfeito, a culpa é do mundo. Se existem 200 opções, e não escolhe a perfeita, é a sua culpa.”

Este poderá bem ser um dos problemas com a maioria de escolha em tablets e smartphones, levando aqueles indecisos a escolher o iPhone e iPad, considerando-os a opção mais segura. E quanto mais concorrência, aparentemente igual, existir, mais as pessoas vão escolher os produtos da Apple. Não é obviamente a razão principal pela escolha, mas se alguém não conseguir justificar porque pagou mais por um produto, normalmente a escolha resultou da quantidade desnecessária de alternativas.

Este tipo de remorso é ainda mais relevante quando consideramos media e informação na Web, que é praticamente ilimitada e em grande parte, gratuito. Poderá não estar a gastar o seu dinheiro, mas está a gastar o seu tempo. E time is money.

As marcas que conseguem diminuir as opções do consumidor e filtrar a sua atenção, vão acabar por ter mais sucesso. Veja a diferença entre os restaurantes que têm páginas e páginas de opções na sua carta em comparação com o restaurante que tem 3 pratos de carne e 3 pratos de peixe – de repente a escolha parece ser mais fácil e o resultado mais gratificante – assumindo que ambos os restaurantes são bons.

Este foi sempre um dos pontos mais fortes de Google e os seus resultados, algo que agora com a integração de múltiplas fontes de informação, começa a perder o utilizador que enquanto antigamente olhava e escolhia rapidamente da primeira página de resultados, hoje é confrontado com os resultados de diversas fontes, vídeos, imagens e mais recentemente, resultados da Google+. Não nos podemos esquecer do anúncios que só vêm atrapalhar.

A maioria dos portais e páginas de grandes empresas estão agora a recolher o máximo de informação do utilizador para que cada vez mais limitam a quantidade de informação que mostram, facilitando assim a experiência do utilizador na sua página. Esta estratégia permite um nível de personalização que vai certamente devolver resultados superiores a quem gere estas plataformas.

Sempre soubemos que a qualidade supera a quantidade, que a relevância é chave e que se vivemos na “attention econcomy”, “experience econcomy”, “abundance econcomy”, também pertencemos à “personalized econcomy”.

Mas com toda esta personalização, não podemos ignorar que estamos a perder o que os ingleses chamam “serendipity”, ou seja a arte da descoberta. Quanto mais sabem de nós online, menos vamos descobrir algo que desconhecíamos, tornando-nos todos semelhantes, que acaba por alterar os nossos gostos, opiniões e desejos que acaba por limitar ainda mais a escolha apresentada.

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