in Social Media

Engagement

Se por um lado o termo “gestão de crise” parece-me sempre um oximoro, por outro podemos criar as condições para limitar o impacto de uma crise, e o Goodwll criado externamente deverá ser equilibrado com o Goodwill interno de uma organização.

Mas afinal porque é que “gestão de crise” é um termo tão estranho de utilizar? Porque nunca gerimos uma crise. O que gerimos são os factores que controlamos para minimizar qualquer impacto negativo desta ocorrência.

Se os colaboradores de empresas já eram colocados numa caixinhas com barreiras bem definidas e controladas (hierarquia), a crise só veio agravar esta relação contestada entre colaborador e a organização. Não deve ser surpresa nenhuma ao ouvir falar que cada vez mais as empresas aproveitam-se da crise para gerir de forma agressiva, diminuindo salários e aumentando o trabalho – management by fear. Afinal, quem se pode dar ao luxo de perder o seu emprego neste clima? Mas este é um erro tremendo e só demonstra que muitos conduzem a sua vida a um muito curto prazo.

Pois quem afinal sabe o que se passa internamente são mesmo os colaboradores, presentemente equipados com os seus próprios hubs de contactos espalhados pela industria, por outras e cada vez mais, pelo mundo fora – Facebook, LinkedIn, Twitter, etc. Cada vez mais as empresas estão lhes a cortar o acesso ao exterior, durante o dia, efetivamente cortando a própria empresa do que se fala nos bastidores além dos seus corredores. Este isolamento vai-lhes custar muito.

São os colaboradores que ouvem melhor o que se passa no terreno. São os colaboradores que se apercebem das lacunas dos procedimentos ao ouvir as reações dos clientes. São os colaboradores os primeiros a desistirem de informar internamente o que vai acontecer. E são os diretores que se isolam cada vez mais da realidade. A RIM (Blackberry) é um exemplo do quão devastador é esta ignorância estabelecida pelas próprias regras internas. Zappos é o exemplo do que Goodwill consegue internamente, com resultados bem claros externamente.

Ao contrario do que muitos pensam, os colaboradores têm todo o interesse no futuro da organização pelas razões mais óbvias, especialmente por o seu futuro depender nela. E estão preparados a fazer muito, muito mesmo, pela empresa, mas o respeito é algo que tem que existir.

Mas nem todos os colaboradores têm paixão por o que fazem o pela sua organização, muitos sentem-se alienados. Mas informação referente à empresa, e algumas vezes pertinente, passa pelas suas mão diariamente. E se quer iniciar uma relação com retorno, deverá ter em consideração as 3 maiores preocupações dos seus colaboradores presentemente:

  1. A estabilidade da empresa, em termos financeiros. Como está?
  2. Qual a segurança do seu emprego na organização?
  3. A reputação da organização – estão eles em risco de estarem associados à organização?

Não é de estranhar que são estas as mesmas preocupações da administração da própria empresa. Ou seja, estão, ou deveriam, estar todos alinhados.

Deve a organização ver os seus colaboradores como uma espécie de sistema de alerta avançada. Imagine quantos perfis privados que só dão acesso aos seus amigos (alguns colaboradores seus) estão a falar da sua empresa, industria ou concorrentes. Não gostaria de ter essa informação? Sem ser forçada?

Politicas de porta aberta, fácil acesso à direção, hierarquias horizontais e um caixote de lixo para as placas do Dr. e Dra. facilmente iniciam uma mudança de cultura interna. Message boards internos bem como a utilização de social media internamente ajudar a uma maior transparência mas deverá a organização estar preparada não só para ouvir bem como para saudar aqueles com coragem para falar e levar a organização em frente.

Respeite Os Seus Colaboradores Para Ajudar Evitar Uma Crise (II)

Write a Comment

Comment

Webmentions

  • Respeite Os Seus Colaboradores Para Ajudar Evitar Uma Crise (II) |

    […] bem como posiciona-la de melhor forma para reagir a uma crise, não se acontecer, mas quando.Como referimos na primeira parte, message boards internos bem como a utilização de social media internamente ajuda a uma maior […]