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Not So Smart TV

Como consumidor fiquei extático quando a Samsung entrou a matar no mercado com uma série de LCDs praticamente iguais às da Sony Bravia, com uma diferença – o preço. E eu comprei.

Anos depois a Sony está em apuros, a Samsung cresce e domina diferentes sectores mas algo continua por resolver – a evolução da televisão para o que eles agora erradamente chamam “SmartTV”. Porque para todos efeitos, estas televisões são tudo menos Smart.

Com os rumores a intensificar que a Apple vai lançar uma nova televisão, e dado o seu mais recente sucesso em redefinir o smartphone bem como o inventar de uma nova categoria, o tablet, muitos têm razão para estarem preocupados. Mas provavelmente seria uma ótima altura para não deixar comentários que mais tarde poderão vir assombra-los.

Chris Moseley, AV product manager da Samsung, teve o seguinte a dizer sobre um possível futuro com uma televisão Apple:

“We’ve not seen what they’ve done but what we can say is that they don’t have 10,000 people in R&D in the vision category.”

“They don’t have the best scaling engine in the world and they don’t have world renowned picture quality that has been awarded more than anyone else. TVs are ultimately about picture quality. Ultimately. How smart they are…great, but let’s face it that’s a secondary consideration. The ultimate is about picture quality and there is no way that anyone, new or old, can come along this year or next year and beat us on picture quality. So, from that perspective, it’s not a great concern but it remains to be seen what they’re going to come out with, if anything.”

Ao ouvir isto pensei logo nos comentários de Steve Balmer que se começou a rir quando lhe perguntaram em 2007 sobre o potencial do iPhone. Pior ainda foi o que um dos cofundadores e CEOs da RIM (Blackberry) tiveram a dizer na mesma altura – que o iPhone não iria de forma alguma mexer com a estratégia ou sucesso do Blackberry. O resto já nós sabemos.

Mas o mais interessante é que nós estamos exatamente no mesmo ponto, no sector de televisões, em que estávamos em 2007 com o mercado de telemóveis. Um mercado saturado, com margens baixas, produtos considerados um bem comum, intensa competição, milhares de diferentes modelos, tamanhos e com inúmeras funcionalidades. Mas o mais importante, um sistema operativo que se pensava ser adequado e que acabou por ser o ponto de viragem.

Se por um lado a Nokia parecia ter o melhor sistema operativo, existia um enorme descontentamento com a sua usabilidade e todos os estudos indicavam que as pessoas utilizavam menos que 25% das funcionalidades dos seus telemoveis.

Cinco anos depois e estamos exatamente no mesmo ponto mas com o mercado das televisões. Este ano no CES 2012, em que o hype centrava-se no conceito de SmartTV, ficámos a perceber que estamos a ir pelo caminho errado. SmartTV, para quem já a utilizou, é tudo menos Smart.

Eu comprei uma LCD (LED) em Dezembro e o meu objectivo como consumidor era simples – o maior ecrã pelo menor preço, um mínimo de 2 entradas HDMI e por acaso veio com acesso a internet. O preço? €700 por um LG de 49 polegadas. O empregado ainda me tentou convencer que a resolução seria bem melhor se gastasse mais, mas como referi, eu queria gastar o menor possível.

O que aprendi foi o seguinte. Todas os LCDs hoje em dia têm no mínimo 2 entradas HDMI, Internet, apps e a mínima resolução que satisfaz o consumidor comum. É que em casa eu não tenho LCDs de €3,000 ao lado para comparar. Na minha casa, a resolução é perfeita.

Mas o que me fez mais confusão foi o nível de Smartness que a televisão aparentemente não tem. Quando quero ir ao YouTube, aparece-me um vídeo aleatório de fundo, que como pode imaginar vai ser sempre terrível, e depois com o abecedário sobreposto, vou escolhendo letra a letra carregando no OK até chegar ao termo de pesquisa desejado. O problema é que nada deste processo é simples, intuitivo ou até tolerável. Basta só carregar com o dedo numa seta ao lado do OK para que volte para trás só para ter que voltar ao inicio novamente. Onde está a parte Smart de todo este processo?

Compreendo que esta seja uma opinião pessoal mas faz me voltar atrás aos tempos pré iOS e Android. Acabo por novamente desistir e utilizar somente uma percentagem das funcionalidades da televisão.

Ninguém conseguiu até hoje resolver a questão de integrar a televisão com tudo que fazemos online. Google TV falhou e agora todas as televisões que vêm com o suposto SmartTV feature, estão a falhar. Está na precisa altura em que alguém, seja a Apple ou Samsung ou LG ou qualquer outra empresa, entre no mercado com A solução e assim vamos ver uma nova redefinição de uma industria que não teve a capacidade de se reinventar.

Mas se os comentários de Chris Moseley refletem a opinião e estratégia da Samsung, estão todos errados. Não interessa as 10,000 pessoas que a Samsung tem em R&D para encontrar a melhor “picture quality” possível. Já chegámos ao ponto que a qualidade média de imagem já satisfaz as massas, incluindo o mercado premium cujo próprio termo acaba por enganar em muito. Premium é hoje em dia utilizado para algo bom e não rasco e comum. Bang & Olufsen eram premium (agora são super premium), Bose já foi premium.

Samsung corre o risco de achar que a grande luta será na qualidade de imagem. Mas estão errados. A grande luta vai ser ganha ou perdida na forma como tornamos a televisão em algo simples de utilizar bem como a sua integração com os restantes dispositivos que temos em casa.

A Samsung tem razão para estar preocupada, algo que se assume quando uma marca faz questão de dizer que não está, mesmo assumindo que não sabe o que o concorrente tem para lançar. Mas o que a Samsung sabe é o que a Apple é capaz de fazer e se eu tivesse 60% do mercado premium (€1,500), como a Samsung, eu teria grandes dificuldades em dormir à noite.

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