in Gestão de Crise, Google

Google Privacidade

Reportamos no dia 17 de Fevereiro que um programador tinha encontrado por acaso, um código que Google estaria a injetar para ter mais informação sobre o que utilizadores faziam no Safari.

A Apple reagiu, Google alegou que estariam a distorcer a realidade e agora Microsoft também decidiu intervir na conversa, através do seu blog do IE (internet explorer).

É interessante o tom em que tratam deste assunto – humilde e humano. “Quando a equipa do IE ouviu que Google tinha contornado as configurações de privacidade no Safari, pensámos na seguinte simples questão: estará Google a contornar as configurações de privacidade do Internet Explorer também? Descobrimos que sim: Google está a utilizar métodos semelhantes para contornar as configurações de privacidade escolhidas por defeito e assim estão a monitorizar utilizadores no IE através de cookies”.

Não é por acaso que a Microsoft escolhe este tom, repetindo a questão de contornar as configurações de privacidade. Por um lado faz com que o utilizador pense que tal ato é tão escandaloso que a própria Microsoft nunca esperava tal coisa e assim deixou esta “porta aberta”, por outro, repete o facto de que quem foi mesmo afectado foi o utilizador e não a Microsoft, neste caso. É brilhante.

O blog depois explica o que Google esteve a fazer e aproveita para relembrar o utilizador que a nova versão, o IE 9, já dá a possibilidade de bloquear tal contorno. Mas na realidade são todos culpados, pois permitiram que tal contorno fosse possível para agradar os anunciantes bem como para usufruírem desta informação tão valiosa.

Google vê-se assim novamente embrulhado num problema de reputação semanas depois de ter sido acusado de alterar as condições e política de todas as suas páginas e serviços, englobando-as todas numa única política de privacidade.

Para mim, tudo isto até pode fazer sentido, mas o problema reside na percepção e não na razão, algo que já muitas marcas foram forçadas a enfrentar. Presentemente, a razão é muitas vezes ultrapassada pela percepção da comunidade e neste momento, a comunidade parece estar claramente do seu próprio lado, alimentado por toda a “indignação” de todos o outros que para todos os efeitos são pró cookies. Mais uma vez estamos perante o facto que não existe o desejado mas sim um compromisso entre privacidade e utilidade.

Alguns preferem a privacidade, enquanto a maioria prefere a privacidade mas abdica dela num instante se conseguir ter algo gratuito ou melhorado, como é o caso dos anúncios e a experiência que temos em cada site – melhorado largamente pela informação que vamos deixando para trás. Nada afinal é perfeito.

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