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Yelp IPO

Alguns nunca ouviram falar de Yelp, e a maioria provavelmente até nem a utilizou, mas o site que funciona como uma especie de guia de estabelecimentos, com base nas classificações e opiniões da comunidade, faz já parte das preocupações de empreendedores, especialmente aqueles na restauração.

Hoje, Yelp prepara-se para levar a sua mais rigorosa classificação de sempre, quando os mercados decidirem qual o seu valor. Nos últimos 12 meses já vimos Groupon, LinkedIn, Zynga e Pandora a estrearem-se na bolsa através de IPOs. Facebook é dos IPOs, o mais esperado pois vai certamente ser o maior IPO tech de sempre.

Yelp, um siote online que oferece um serviço de reviews para todos os negócios, desde a restauração a cabeleireiros, espera conseguir angariar $100 milhões de USD através da venda de ações ao público.

Mas os analistas não dão nem 4 nem 5 estrelas a Yelp, dado que independentemente do negocio demonstrar potencial, existe muita incerteza em torno do seu modelo de negocio, algo que já referimos inúmeras vezes no que concerne às empresas online que começam com um serviço gratuito e depois procuram implementar modelos de receitas que nem sempre são as mais adequadas.

As receitas de Yelp estão a crescer a 60% e o numero de utilizadores cresce de igual forma. Neste momento, Yelp tem 61 milhões de utilizadores e já registou acima de 22 milhões de classificações e/ou opiniões.

O problema reside no facto que Yelp é mais uma daquelas excelentes ideias que perde dinheiro, algo que os mercados financeiros obviamente fogem a todo o custo. É que vender publicidade a pequenas empresas, sejam elas restaurantes, cabeleireiros ou lojas de roupa, torna-se num desafio árduo que requer recursos humanos, algo que o modelo da Web nunca contemplou. Era suposto estes serviços funcionarem com uma pequena equipa de programadores e nunca com equipas de venda na rua – um problema partilhado pelo Groupon mas a uma maior escala.

O ano passado, os prejuízos subiram para $17 milhões de USD. Uma outra preocupação é que mais de metade do seu trafego vem do Google, o que representa uma enorme ameaça para o seu futuro. Google, como já vimos, não só também começa a competir neste mercado bem como parece controlar a ordem em que os resultados aparecem na página de pesquisas efectuadas, normalmente favorecendo os seus próprios assets. A sua dependência no Google poderá bem ser o seu maior problema.

Um dos outros problemas com este tipo de IPO é que se trata de uma empresa que teve um rápido crescimento, algo que faz com que a empresa pareça mais sólida do que na realidade é. Mas Yelp é mesmo muito pequena. Mas 61 milhões de utilizadores é pequeno? Para o seu site não, mas para uma empresa que vai hoje vender ações ao público, é.

Este é mais um caso onde o hype em torno do IPO é superior ao verdadeiro valor da empresa que depende em muito na publicidade localizada. Se adicionarmos o facto que a empresa perde dinheiro e tem fortes possibilidades de ser penalizada pela sua dependência no Google e Facebook, o que podemos bem ver novamente é o short-selling, algo que já abordámos na questão do Facebook e o seu futuro IPO.

Este não é um investimento para o investidor comum. Este é para aqueles que vivem do risco e que funcionam no imediato.

A ironia é que os próprios utilizadores do Yelp classificaram-no não como um serviço de 4 ou 5 estrelas mas sim uma indiferença de 3 estrelas.

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