in Gestão de Crise

Fukushima

Fez ontem um ano que um terramoto de 9.0, seguido por um tsunami, abalou a costa do norte do Japão. Se por um lado, o terramoto foi o maior alguma vez registado, por outro, ninguém na altura sonhava o que ainda estaria para vir.

A Fukushima Daiichi nuclear power plant foi assim atingida pelo tsunami, criando um autentico caos, bem como iniciando um dos maiores acidentes nucleares de sempre. Mas provavelmente o que surpreendeu mais a todos, foi que na era da informação, muito pouca informação surgiu do Japão criando um enorme mau estar pelo mundo fora.

No dia 11 de Março, durante a tarde de um dia com perfeita visibilidade, NHK World dava a noticia ao mundo que um enorme terramoto, seguido por um tsunami, tinha acabado de atingir o norte do Japão – era uma da manhã em Washington.

Antes do meio dia, o US Nuclear Regulatory Commission (NRC) ativou a sua Emergency Operations Center, a primeira vez desde os ataques à World Trade Center a 9/11. O centro de operações grava a maioria do que se passa lá e essas gravações foram divulgadas há pouco tempo.

O que poderá surpreender à maioria das pessoas que ouve o que se passou nesse dia, e em dias subsequentes, é o desespero das autoridades Americanas ao tentarem saber o que se passava efetivamente no Japão – esta falta de informação durou mais de uma semana.

A maioria da informação recebida era através de press releases da empresa responsável por Fukushima, a Tepco. A quantidade e qualidade de informação que chegava ao exterior era consideravelmente menor aquela que todos estava acostumados a ter.

Durante o primeiro dia, foi através da CNN, Wikipedia e YouTube que o governo Americano conseguiu receber informação. Era difícil conseguir melhor dado o facto que o Japão, e as suas infraestruturas, estavam destruídas.

Rapidamente esta tornou-se numa crise de high-tech na era da informação, e a ausência de informação, pelo menos no inicio, frustrou os todos.

No primeiro dia conseguia-se ver fumo a surgir do reator #1. No dia seguinte, uma faísca incendeia o ar pressurizado de hidrogénio e vapor de água dentro da estrutura do prédio que protege o reator #1.

No terceiro dia, o prédio que continha o reator #3 explode e o Admiral Kirkland Donald, diretor do US Naval Nuclear Propulsion, liga ao NRC para avisar que o navio Americano, Ronald Reagan, que está a 160 kms de Fukushima, está a detetar radiação e pede para contactarem o governo Japonês pois ninguém sabe o que se passa.

Isto é seguido por explosões nos reatores #2 e #4 e só agora é que a NRC conseguiu ter uma equipa no Japão. Esta poderia bem ter sido a maior desgraça de sempre para o mundo e ninguém sabia qual a extensão do perigo, muito menos se estaria a piorar ou não.

Uma semana de crise e pouco se sabe e pouco se pode fazer. Este é um evento global à escala nunca visto, com a possibilidade de ter 4 reatores a derretem, contaminando o mundo para sempre. Mas esta é a catástrofe do Japão e o mundo só pode esperar.

Na quarta-feira o governo Japonês obriga a evacuação de 160,000 num raio de 20 kms mas o governo Americano dá ordens para todos os Americanos no Japão, que o raio seja 80 kms. Até aqui as informações e ações são muito diferentes.

Mesmo com equipas no Japão, o mundo pouco mais sabe, uma semana depois do acidente. Mas o que os Japoneses enfrentaram é de facto incomensurável com milhares de corpos aparecerem na sua costa. O numero de mortos registado ultrapassa os 20,000, mas o que marcou mais para profissionais que estão treinados para lidar com cises, foi o facto que na suposta era da informação, pouco ou nada se soube durante uma semana.

O que aprenderam desta tragédia foi que será necessário ter mecanismos prontos para captar informação crucial, informação essa que poderá novamente não estar disponível através dos meios típicos, caso exista outra catástrofe desta dimensão.

httpv://youtu.be/AkHLQfe3dw4

 

In NYT, APM e NHK.

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