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Goldman Sachs

Uma coisa é não estarmos satisfeitos na empresa onde trabalhamos e decidimos assim ir à nossa vida, outra coisa é faze-lo publicamente – no New York Times. Esta semana vimos um executivo do Google e outro da Goldman Sachs a explicarem para o mundo inteiro o que pensam das empresas onde trabalhavam e o que os levou a sair. Uma jogada arriscada.

Anteontem, Greg Smith escreveu um artigo para o NYT intitulado “Why I am Leaving Goldman Sachs” onde ele descrevia o ambiente “tóxico” e uma cultura que com o tempo conseguiu piorar, onde “exploram os clientes” e até os dão a alcunha de “muppets”.

Eu compreendo pois trabalhei dois anos na Bolsa de Londres, mas confesso que me faz alguma confusão o nível de ingenuidade que Smith demonstra na sua versão de eventos. É que a bolsa e os bancos tiveram sempre a mesma cultura, e certamente que não é agora que vão mudar – não sabem mudar, e pior, não querem mudar.

Ao contrario de Smith, eu e muitos outros, saímos da bolsa porque não nos identificávamos com a cultura nem com o falta de ética e total desrespeito que todos têm não sou com os clientes mas pior com eles próprios. Mas estranho é o risco de o fazer tão publicamente.

Se no inicio muitos escreveram comentários positivos sobre a sua “coragem”, pouco depois, e provavelmente após alguma reflexão, começaram as criticas, e com razão. É que Smith, como muitos outros, acumularam uma fortuna quase pornográfica à custo dos tais “muppets” e agora acha que a cultura mudou? Mas em que mundo é que Smith viveu?

Enquanto o Wall Street Journal escrevia sobre o executivo que se demitiu com uma caneta envenenada, Bloomberg News conseguiu ser mais sarcástico, exprimindo a sua “tristeza” pelo facto de Smith achar que Goldman “existia para promover a paz e felicidade no mundo”. O seu titulo diz tudo “Yes, Mr. Smith, Goldman Sachs Is All About Making Money.”

No dia anterior, James Whittaker, um agora ex-executivo do Google, decidiu fazer a mesma coisa, mas de forma um pouco mais sutil, por menos achava ele. Escreveu um blog post intitulado “Why I left Google”, uma opinião pessoal sobre Google, a sua cultura e os seus fundadores, nomeadamente Larry Page. Mas seria mesmo necessário escrever este post dado que já está noutro emprego? Provavelmente o local onde escolheu escrever este post foi o seu maior erro – num blog da Microsoft, onde Whittaker passou a trabalhar. Mas será que a cultura da Microsoft é melhor, ou é a compensação.

Estamos numa era em que algumas pessoas conseguem agora ter uma maior influência que as próprias empresas, mas com essa influência vem responsabilidade, bem como os riscos inerentes. É cedo ainda para perceber qual o impacto que tudo isto pode ter mas certo é que cada vez mais as empresas vão ter que obrigar aos seus colaboradores que assinem um NDA (non disclosure agreement).

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