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Mike Daisey

Foi um programa de rádio dos Estados Unidos, This American Life, que tornou-se em Janeiro deste ano, o ponto de partida para todas as criticas e subsequente investigações em torno das condições de trabalho nas fábricas da Foxconn na China.

O programa intitulado “Mr. Daisey and the Apple Factory”, descreve a história de Mike Daisey, um ator, autor, comentador e dramaturgo, e a sua visita a uma fabrica na China que fazia iPads e iPhones. O programa representou uma imagem da vida dura de quem trabalha nas fabricas da Foxconn. Fabricas essas que também fabricam produtos para outras marcas – algo que ficou perdido perante toda a atenção apontada para a Apple.

O que surgiu depois foram uma série de artigos do New York Times que reforçavam a imagem de algo verdadeiramente negro e preocupante. Mas o que agora acaba por chocar mais é a confissão do que o programa foi parcialmente fabricado, algo sobre o qual, alguns jornalistas já tinham questionado.

Enquanto o programa dedicou um episódio para pedir desculpa do sucedido, explicando quais as partes do episódio mais popular de sempre que foram fabricados:

Regrettably, we have discovered that one of our most popular episodes was partially fabricated. This week, we devote the entire hour to detailing the errors in “Mr. Daisey Goes to the Apple Factory,” Mike Daisey’s story about visiting Foxconn, an Apple supplier factory in China. Rob Schmitz, a reporter for Marketplace, raises doubts on much of Daisey’s story.

o mesmo já não aconteceu por parte de Mike Daisey, que ao que parece esconde-se convenientemente por de tras da sua arte usufruindo da linha agora tão ténue entre o verdadeiro jornalismo e o blogging.

This American Life” has raised questions about the adaptation of AGONY/ECSTASY we created for their program. Here is my response:

I stand by my work. My show is a theatrical piece whose goal is to create a human connection between our gorgeous devices and the brutal circumstances from which they emerge. It uses a combination of fact, memoir, and dramatic license to tell its story, and I believe it does so with integrity. Certainly, the comprehensive investigations undertaken by The New York Times and a number of labor rights groups to document conditions in electronics manufacturing would seem to bear this out.

What I do is not journalism. The tools of the theater are not the same as the tools of journalism. For this reason, I regret that I allowed THIS AMERICAN LIFE to air an excerpt from my monologue. THIS AMERICAN LIFE is essentially a journalistic ­- not a theatrical ­- enterprise, and as such it operates under a different set of rules and expectations. But this is my only regret. I am proud that my work seems to have sparked a growing storm of attention and concern over the often appalling conditions under which many of the high-tech products we love so much are assembled in China.

Assim ficamos ainda mais confusos com o estado de noticias que se lê online. Não sou agora é necessário ponderar se estamos a ler um artigo de jornalismo, um blogue de um autor ou até uma peça teatral, vagamente baseada em factos verídicos.

É claro que este acontecimento não anula de todo o que se passa na China e a responsabilidade que a Apple, bem como todas as outras empresas, têm em assegurar que os seus parceiros asseguram condições adequadas às necessidades dos seus trabalhadores.

O que faz é relembrar-nos que não podemos acreditar em tudo que lemos nem podemos assumir que os factos são rigorosamente verificados antes de serem publicados, quer pelos jornalistas, quer pelos bloggers.

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