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Declínio da Televisão

Muitos já aceitaram que a industria de print – jornais e revistas – está a morrer. Na realidade ela está é a mudar, há muito, e quem percebeu e aceitou, não acredita na morte de uma industria, mas sim na sua profunda alteração que começa sempre anos antes de muitos se aperceberem.

Os números são sempre os melhores indicadores e quando os observamos com uma mente aberta, menos toda a bagagem, o futuro torna-se mais claro. A televisão também está a mudar há muitos anos mas ainda existe demasiada resistência.

Declínio da Televisão

Em Portugal, vivemos uma guerra não de audiências, mas sim dos mecanismos aceites para as medir – a negação em esteroides. Na realidade é mesmo melhor fingir que está tudo bem, pois se não, teríamos que enfrentar uma cruel verdade  – os jornais, programas e séries produzidas em Portugal, são, em termos gerais, de menor qualidade. Mais uma vez, acredito que o problema reside no nosso nível de exigência, e neste caso especifico, os subsídios para manter os canais nacionais no ar, independentemente das audiências e qualidade do seu conteúdo.

Mas o comportamento dos Portugueses também está a mudar. O estudo da Mediabrands Connections Panel, revela que os portugueses afirmam, em simultâneo, ver televisão, aceder à Web e ouvir rádio. Mais más noticias para quem continua acreditar no presente modelo de publicidade na televisão. Nos Estados Unidos, a maioria já vê televisão no seu computador e praticamente metade acede à Web através de smartphones.

Mas este factor não é de facto novo. A MTV já há alguns anos que alterou a sua programação de música para alguma música mas com inúmeros outros programas e séries pelo meio – é que o seu target ouvia, e não via, a MTV.

Business Insider tem um artigo esta semana que fala sobre a queda da televisão como industria, com base no facto que:

  • – já não vemos os programas na hora em que os mesmos são transmitidos, optando por grava-los para os ver quando for mais oportuno (exceção: desporto);
  • – raramente vemos anúncios, muito menos quando gravamos os programas. O formato, mais que ultrapassado, nos 4 principais canais portugueses, de ter blocos de publicidade de mais de 20 minutos, só veio acelerar esta mudança de comportamento;
  • – noutros países, onde Netflix, iTunes e HBO são alguns dos serviços pagos de conteúdo, a publicidade parece ter desaparecido;
  • – a maioria das noticias são agora lidas online, sem ser quando há uma catástrofe ou crise – algo que as noticias de televisão continuam a ter vantagens sobre tudo o resto;
  • – vemos televisão e/ou filmes em 4 ecrãs distintos: televisão, portátil, tablet e smartphone
Declínio da Televisão

Queda da audiência de televisão por cabo nos EUA

Mas o mais interessante é os constantes rumores, cada vez mais intensificados, sobre a nova televisão que Apple vai lançar. Se por um lado a Apple estava à espera de conseguir acordos para integrar conteúdo no seu dispositivo, por outro, torna-se cada vez mais evidente que a Apple vai mesmo é querer resolver a falta de inteligência e usabilidade que todas as SmartTvs parecem ter.

Seja como for, está industria vai mudar e está neste momento, apta a ser abalada por quem o sabe fazer melhor. O ecossistema da Apple, fechado, vai permitir não só ter acesso a todos o conteúdo que temos (utilizadores com iOS) como também vai permitir que os jogos e apps funcionem na televisão.

Pessoalmente, é me indiferente se a marca que resolve esta lacuna é a Apple, Samsung, Sony ou qualquer outra. Só não quero é ter que investir numa SmartTv para utilizar somente as funcionalidades que eu tenha na minha IdiotTv. Mas tenho um pressentimento que vai ser mesmo a Apple.

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