in Social Media

Ethics

Tudo começou com um artigo no site Crime Digo Eu intitulado “a lista de boys no governo, todos os especialistas bem pagos e de tenra idade...”. Sendo eu um cidadão desgastado com o presente clima económico e o rumo escolhido, que continuo sem perceber bem para onde segue, acabei por ceder à mais fácil forma de indulgência – a gratificação instantânea, o desabafo e a partilha.

Pouco depois  recebi uma mensagem de uma pessoa (removi algumas questões que possam identificar a pessoa mas sem que alterasse o contexto):

Aquela lista de “boys” que linkas não está correta.

Os valores que a dita lista apresenta foram inflacionados em MIL ou em DOIS MIL euros, dependendo dos casos (peguei nos dois primeiros casos e fui cruzá-los com o que vem na página do Governo).

Mais: deixa-me dizer-te que sou uma dessas supostas (pessoas)…

O meu caminho construí-o eu, os cursos que tirei são meus, até fui às aulas – imagina! – e continuo a estudar. Garanto-te que não fico por aqui e que contarei sempre com o trabalho árduo – não há outra maneira de se ser bom no que se faz!

Por fim, o devido respeito a ti e ao que trazes aos vários sítios onde te leio. Não há de ser esta imprecisão – que nem é tua – que me afastará das boas leituras e das “dicas-para-abrir-a-mente” com que brindas o teu público.

Confesso que esta mensagem mexeu comigo – poderia ter sido eu a escreve-la pois irrita-me profundamente quando aqueles que escrevem não nos respeitam como leitores – espera-se que no mínimo, os factos sejam verificados.

Everyone is entitled to his own opinion, but not his own facts.
Daniel Patrick Moynihan

Ao rever o artigo, verifiquei o seguinte:

  • – Os números estão errados
  • – A questão da idade no posto é presentemente irrelevante
  • – O valor também o é quando não tem o divido contexto
  • – O autor mistura uma série de tópicos, assumindo-os como um único e interligado assunto – if only life was that simple...

Mas o erro foi meu e felizmente, uma pessoa teve o cuidado de me chamar atenção. Como não podia (devia) apagar a partilha, resolvi no momento pedir desculpa. Uma desculpa publica a quem o merece.

E aqui fica um pedido de desculpas – acabei por partilhar algo que estava incorreto e assim passei a mensagem que tinha lido o texto e concordava com ele – os números estão errados e assim estará tudo o resto, especialmente a partilha – não apago pois não está no espírito de social media, mas arrependo-me de ter tido um lapso de bom senso motivado pela gratificação instantânea – pena não ter partilhado um gato a tocar piano, assim ficaria tudo bem.

Para quem escreve, como eu, sem que se preocupe com receitas diretas (nunca tive publicidade no TudoMudou), a responsabilidade aumenta com cada pessoa que lê, que segue, que partilha e que comenta. É um palco que exige respeito pela audiência. Mas como aprendi, é fácil esquecermos que nos estão a ouvir, que nos respeitam e que até apreciam o que escrevemos.

Já fui prejudicado pelo que escrevo, mas é um pequeno preço que se paga para usufruir da liberdade de expressão. Liberdade essa, que exige rigor. Cada artigo que escrevo é facilmente defendido, mesmo que não concordem com o resultado. É a minha voz, a minha experiência de vida e a minha paixão.

Mas independentemente de quem está a ler, ouvir e/ou partilhar, o meu objectivo é de trazer algo para a mesa, para que haja um debate construtivo em torno do assunto escolhido. Algo só possível se a base for sólida – os factos. Na ausência dos mesmos, um artigo não é nada mais que conversa de café.

Desta forma, a seguinte lista parece-me fundamental para que exista a tal relação de confiança:

  1. Pesquisa: os factos são factos e têm que ser verificados
  2. A promoção de produtos deve ser devidamente identificada e devem refletir quem nos somos, online e offline
  3. Erros devem ser assumidos publicamente. É humano errar. É desumano ignorá-los
  4. Não devemos copiar o trabalho de outros (disclaimer: esta lista foi publicada pelo Lye Kuek Hin)
  5. Dar crédito a quem o merece. Uma dica, um artigo, uma opinião que não seja nossa
  6. Disclosure: quando links são de afiliados, deverá sempre o mesmo ser identificado para que a pessoa esteja consciente do que está a fazer
  7. Responder aos comentários com respeito

O mais curioso foi as diversas respostas e comentários colocados no post de mea culpa. Surpreendeu-me. Até porque o pedido de desculpa foi rápido sem qualquer analise de possíveis consequências. É por esse motivo que qualquer pedido de desculpa deve ser humano, transparente, humilde e autentico. Desta forma estamos sempre protegidos caso o mesmo não corra bem. É o que sentimos, o que acreditamos e o que podemos defender.

A mensagem é simples. Se vamos usufruir da tecnologia para escrevermos, partilharmos ou simplesmente carregarmos num “like”, é importante perceber que cada ato tem consequências. Um simples “like” ou “share” é muito mais do que a definição de cada palavra – é um reflexo de quem nós somos, o que acreditamos e dos nossos valores.

Desta forma, temos que assumir que temos uma responsabilidade em garantir que, nas piores das hipóteses, vamos conseguir defender os nossos atos. Blogger ou jornalista, é importante termos sempre em mente a responsabilidade, a influência e as consequências. Mais vale esperar um minuto ou dois antes de clicar ou publicar, do que ter que pedir desculpa.

We live and learn…

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