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Jeff Bezos Amazon

A especulação do que a Amazon iria lançar no inicio de Setembro, acabou por estar errada, mas estiveram perto. Os peritos, de fontes  “com conhecimento na matéria”, diziam com toda a certeza que Amazon estaria prestes a lançar um novo smartphone.

Ontem lançaram algo diferente – uma ofensa ao mercado massificado de tablets. Curioso que quando os rumores começaram a circular que a Apple iria ter um evento no dia 12 de Setembro, todas as outras marcas reagiram – o mês de Setembro, em especifico os primeiros 12 dias, tornou-se assim o período com mais lançamentos de sempre.

Na realidade, Setembro é o inicio do mais importante trimestre que vai até ao Natal, e todas as empresas querem, e necessitam, ter os seus produtos prontos para serem comprados, oferecidos e de preferência não devolvidos.

Mas antes de falarmos sobre as novidades, há algo que acho que devemos primeiro abordar – Jeff Bezos. Bezos, como Steve Jobs, Larry Page, Mark Zuckerberg, Sergey Bin e Bill Gates, é um autentico revolucionário que conseguiu romper com um modelo de negócios existente há décadas – o retalho. Bezos, que trabalhou nos mercados financeiros no Wall Street até aos seus 30 anos, decidiu vender livros online da sua garagem. Era impossível ele ter tomado esta decisão sem que tivesse um road map – uma visão estratégica.

Amazon nasceu em 1994 e 3 anos depois, seguiu o quase obrigatório IPO. Amazon só iria ter lucro 7 anos depois em 2001. Mas poucos falam sobre  o que se dizia de Bezos e a sua empresa após o dot com, em que praticamente todas as empresas online foram por água abaixo. Bezos era o louco que continuava apostar e a investir nas infraestruturas para vender livros online. Mas Bezos demonstrou que a sua visão foi a mais acertada. Amazon é agora o maior retalhista do mundo, e está online.

Bezos não é carismático mas com 48 anos, ocupa neste momento o 26º lugar dos bilionários do mundo, 15º dos Estados Unidos e é a 40ª pessoa mais influente do mundo. Mas poucos falam dele com a mesma paixão que um Steve Jobs ou no passado, o Bill Gates.

A estratégia das novidades anunciadas ontem acabou por se revelar tão defensiva como ofensiva. Perante os fortes rumores de um possível lançamento de um iPad mais pequeno a menor preço, a Amazon quis proteger o seu mercado mas ao mesmo tempo, lançou mais duas tablets, uma delas focadas no mercado do iPad. A estratégia é brilhante até porque caso não consiga concorrer com o iPad, o que me parece bem possível, o resultado não será negativo.

Ao contrario de todos os outros possíveis concorrentes do iPad, Amazon foi o único que demonstrou compreender o mercado das tablets e acertou, quer no price point, quer nas características do seu Kindle Fire.

Independentemente de não ter números de vendas do Kindle Fire, pois só a Apple é que efetivamente revela vendas, não existe duvidas nenhumas que a Amazon chegou e venceu. Todos os outros tablets, ou morreram, ou não estão a vender o que se esperava.

Mas Amazon foi mais longe, atacando os planos de dados através do seu Kindle Fire 4G que em vez de obrigar a um plano caro, mensal, o cliente paga somente $49,99 para um plano de um ano – 12 meses. Curioso é que o limite de 250 MB de bandwidth, esta calculado para manter a utilização do Kindle Fire somente no Amazon.com e para a utilização de web browsing. Com 250 MB, não vai puder ver vídeos nem ouvir áudio – utilizava nas primeiras horas o seu plafond de bandwidth. Genial, pois Amazon não vende enquanto estiver entretido a ver vídeos ou a fazer streaming, áudio ou vídeo.

Mas Amazon aponta os seus canhões para todos, defendendo o seu território como poucos outros sabem o fazer. Ocupando os vários price points e tamanhos de tablets, Amazon assegura-se que o resultado final será sempre melhor do que lançar o novo “iPad killer”.

No dia 12 de Setembro, não será nada provável ver o lançamento do novo iPad, mais pequeno, pois a Apple quer sempre ter estes eventos focados no seu novo produto. Mas a duvida é esta. Se o novo iPhone 5 não for algo suficientemente diferente que dê para criar o hype que se espera da Apple, a empresa liderada por Tim Cook vai ter que completar o lançamento do iPhone 5 com algo mais para conseguir o WOW factor, e na área de software, não se prevê nada novo que deixe todos de boca aberta. Siri, ainda está no inicio e assim os seus melhoramentos deverão figurar nestes lançamentos – novas línguas, novas funcionalidades e melhores algoritmos.

Ficamos na mesma. Novo iPad pequeno? E para quando? Seja como for, Amazon está-se a preparar para essa possibilidade. Mas Jeff Bezos não ficou pelos diferentes tamanhos, nem pela inclusão de 4G LTE num deles.

Amazon até trabalhou com Skype para introduzir uma versão especifica para o seu Kindle Fire que permite fazer o equivalente de “FaceTime”, com as novas câmaras, frente e verso.

As novidades estendem-se a software, muito como a Apple também o faz, colocando a divida importância no seu ecossistema, no caso da Amazon, focado no conteúdo e na compra do mesmo. Outras novidades:

X-Ray for Books: uma forma de explorar o interior do livro, encontrando os diferente parágrafos que mencionam uma ideia especifica, uma personagem, locais ou tópicos de interesse bem como informação mais detalhada do Wikipedia e Shelfari, o seu próprio wiki alimentado pela comunidade da Amazon.

X-Ray for Movies: integração da poderosa base de dados de filmes e programas, a IMDb, para que sem que tenha que parar o filme, pode encontrar informações sobre o programa, os atores, e muito mais incluindo fotografias. IMDb pertence à Amazon.

X-Ray for Textbooks: integração do glossário no próprio conteúdo do livro com informação algoritmicamente disponível através do YouTube e Wikipedia.

Immersion Reading: Amazon, com a Audible, empresa que vende online livros em formato áudio (audiobooks), criaram esta nova funcionalidade que permite ler enquanto ouve o áudio, utilizando assim dois dos 5 sentidos em simultâneo.

Whispersync for Voice and Gaming: pode assim começar a ler o livro e onde ficar no livro, pode recomeçar em áudio no mesmo ponto sem que tenha que procurar. Pode assim ir alternando entre ler e ouvir consoante as suas necessidades e/ou circunstâncias. Este tipo de sincronização é também incluída agora na experiência com jogos. Mesmo que mude de dispositivo, fica exatamente onde estava, mesmo que tenha que instalar novamente o jogo – tua através da Cloud.

Kindle FreeTime é uma funcionalidade que reconhece a dificuldade que é para os pais controlarem o que os seus filhos fazem online, integrando assim uma espécie de parental controls no sistema. Os pais podem assim limitar a utilização de vídeos e jogos a x tempo mas ilimitado para ler livros escolares.

Outras novidades incluem email e calendários, com integração com Microsoft Exchange, Gmail, Hotmail e muitos outros. Fotografias podem ser visionadas em HD na sua televisão bem como pode agora importar as fotografias do Facebook. Em principio, nunca irá perder nada, dado que tudo está alojado no Cloud da Amazon, a empresa com a maior e melhor experiencia de cloud computing.

Nos próximos meses, Amazon vai começar a operar localmente em vez de ser somente global. Nos Estados Unidos, por agora, o seu objetivo e entregar a encomenda que comprou online de manhã, 4 horas depois, ou seja antes de chegar a casa. Este será certamente o fim do retalho offline, como existe hoje em grandes superfícies.

E agora já não tem que perguntar “Quem é o Jeff Bezos?”

httpv://youtu.be/VYi1jZXz9Kg

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