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Apple iPhone 5 Lançamento

Na quarta-feira, Apple lançou oficialmente, o iPhone 5, a sua sexta versão. Como sempre, a expectativa era grande mas notou-se alguma moderação por parte dos media no hype que geravam em torno deste lançamento. Não foi por falta de interesse mas sim porque não queriam passar pela mesma decepção, ou vergonha, da sua ultima cobertura do iPhone 4S.

Mas afinal, o que poderíamos esperar de uma empresa cujo seu único telemóvel é o mais vendido de sempre? É que ao contrario dos restantes fabricantes, o iPhone é o único telemóvel que a Apple alguma vez produziu e tudo indica que isso não irá mudar tão cedo.

Para aqueles que tiveram o “privilegio” de conseguir ter o iPhone 5 na mão, todos são unânimes em relatar o facto que o novo iPhone é mais leve que as restantes versões e que o aumento de altura do ecrã não obriga à utilização de duas mãos, nem parece criar problemas no que concerne à colocação do mesmo, no bolso. Mas também nenhum teve a oportunidade de experimentar dado a segurança que protegia o novo dispositivo da Apple.

Mas afinal não foi preciso ir ao evento para perceber os melhoramentos…

httpv://youtu.be/rdIWKytq_q4

Mas além do tamanho, pouco mudou. Na realidade, as grandes alterações foram todas internas, e não foram poucas. O problema é que só os mecânicos e/ou amantes da arte de engenheira é que se entusiasmam com o que está por de baixo do capô.

O que esquecemos é que o sucesso do iPhone, bem como o vasto mercado que ainda existe para explorar, não permite à Apple de alterar muito na sua vaca gorda. Seria um risco que nenhuma empresa deveria estar preparada a assumir.

O que a Apple fez foi continuar a melhorar o ecossistema bem como o performance do hardware que corre o seu sistema operativo, neste caso, o iOS6. Este ecossistema está em constante evolução desde 2001 onde esta década de avanço, tem se revelado um dos factores principais da falta de concorrência num mercado que claramente se afigura como o futuro – mobile, seja através de tablet e/ou smartphone.

TheVerge tem um excelente artigo que escolhe o icon do iOS, das condições meteorológicas (23º C desde do primeiro iPhone), para demonstrar a verdadeira filosofia da Apple – uma confortável e inofensiva existência. Mesmo que o interior tenha sofrido vários melhoramentos, este smartphone, como todos os outros anteriores, faz parte de um processo iterativo.

Muitos descrevem agora o iPhone como “a janela” pela qual vemos o restante mundo, neste caso, de apps. Se por um lado, a Apple também não arrisca com o seu sistema operativo, outros fazem-no através dos seus apps.

É uma estratégia perfeita para o momento mas algo que vai ter que mudar caso a Apple queira manter este nível de crescimento. Não fico com pena da falta de NFC (near field communications) pois nunca iria ter oportunidade de a utilizar mas fico sim com inveja de algumas funcionalidades e particularidades existentes noutros sistemas operativos, nomeadamente Android.

Quanto mais utilizo Android, como telemóvel secundário, mais acho que o melhor seria um smartphone iAndroid.

Uma coisa é certa, a fútil discussão de Apple vs. Google, e neste caso iOS vs. Android, parece ignorar a diferença entre ambas as empresas. Se colocarmos de lado quem segue a tecnologia, escreve sobre ela e/ou faz parte dos early adopters, ficamos com a maioria de consumidores que deverá sempre comprar a tecnologia, hoje, que lhe permite fazer o que pretende dela e não o que dizem que irá fazer no futuro. NFC (near field communications) é um exemplo perfeito. A maioria não sabe o que é, e o mercado não permite que NFC seja utilizada. Porquê ter então NFC?

Ao contrario do que possam pensar, Apple sempre procurou entrar em mercados onde verificavam que a oferta não respondia à procura, e foi assim que a Apple inovou e revolucionou industrias inteiras, recentemente criando um novo segmento de tablets onde o iPad tem 68% de market share, responsável por 91% do trafego online através de tablets – 84 milhões de iPads vendidos em 2 anos e meio.

Google, conhecido pelo termo beta perpetua, é diferente, sendo que lança produtos para depois ver qual a aceitação, como foi o caso de Buzz, Wave e mais recentemente o Google Q que simplesmente não funciona e que a maioria que o recebeu nunca chegou a perceber qual a sua verdadeira utilidade. Google glasses é outro exemplo, à venda em 2013 por $ 1500 USD – mas para fazer o quê? Não seria melhor esperar para que o produto final cumprisse a um preço adequado ao mercado? Google acha que não e a realidade é que o seu sucesso vem tanto dos seus sucessos como de igual forma, dos seus fracassos.

Google tornou-se assim a maior empresa de market research, utilizando os seus clientes como cobaias enquanto a Apple tornou-se num empresa segura e ponderada, iterando a cada passo, inovando o que não se vê para que o seu cliente não seja incomodado. Esta é sim a verdadeira competição, permitindo existir algo para todos os gostos e necessidades, deixando de parte todos os restantes que não conseguem encaixar neste novo mercado criado pela Google e Apple.

Nunca vimos algo assim – pessoas que argumentam de forma apaixonada pelo seu sistema operativo de preferência. Desde quando é que nos definimos através de um sistema operativo? iOS – os ricos que pouco ou nada sabem de tecnologia e compram a magia da Apple? Android – os pseudo-liberalistas que odeiam a conformidade e procuraram a liberdade da escolha através do Google? Isto não é a magia de uma ou duas marcas. É sim um fenómeno que poucos conseguem, ou até tentam, explicar.

Curioso é ver que um dos argumentos sempre utilizados para tentarem explicar a irracionalidade da compra de produtos da Apple, era o preço. Porque pagar tanto quando Android é mais barato? Vejam agora a comparação de preços entre o iPhone 5 e o Samsung SIII…

Voltando ao titulo deste artigo, eu não vou comprar o iPhone 5 mas sei que milhões de pessoas vão. Eu substitui o meu iPhone original pelo 4 por questões técnicas e não estéticas – inicialmente nem gostei muito do design do 4, mas o meu iPhone estava demasiado lento.

Presentemente tenho um iPad original, um MacBook Pro com 4 anos e o iPhone 4. Tudo funciona lindamente e os grandes avanços têm ocorrido nos sistemas operativos e nas aplicações – para mim, este é o fator mais importante na escolha de tecnologia – não o que ela promete fazer, mas sim o que efetivamente faz e bem, hoje.

Keynote 12 Setembro 2012:

httpv://youtu.be/d-T8CpYo7Kw

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