in StartUps

Nos Estados Unidos existem mais de 50 plataformas que servem como intermediário entre aqueles que procuram investimento na sua ideia, e aqueles que estão preparados a doar para essa causa. Em Portugal existem poucos, muitos poucos.

Após algum tempo a navegar nos principais sites de crowdfunding em Portugal, a PPL, MassiveMov e Redebiz, fico sem qualquer desejo de contribuir para um projecto de uma pessoa, ou grupo de pessoas, que procura ver o seu sonho concretizado.

Elizabeth Gerber, docente da Northwestern University, estuda o impacto de crowdfunding e identificou 4 razões principais pelo qual as pessoas escolhem contribuir para um projecto neste tipo de plataforma:

  1. Pelo sistema de recompensa – as pessoas procuram o reconhecimento;
  2. Pela ligação que têm com uma das pessoas que procura receber donativos (assumo aqui que a ligação pode ser directa como indirecta – através de valores semelhantes);
  3. Por querem ser parte de algo – pertencerem a um movimento, ideia ou causa;
  4. Por querem apoiar os esforços de quem partilha as mesmas crenças.

Um dos benefícios de contribuir para uma causa neste tipo de plataforma é que o mesmo não se limita a uma troca de dinheiro pela concretização de algo por terceiros. Existe uma relação criada que dura enquanto o criador continua a manter os seus doadores informados e ligados ao projecto.

Mas o que se passa então em Portugal? PPL e MassiveMov são duas plataformas desenvolvidas com um design e usabilidade capaz de proporcionar ao criador e doador, uma experiencia positiva com todas as necessárias ferramentas para que o projecto seja partilhado pela Web fora.

Resta-nos assim analisar os projectos que se candidatam à atenção, e dinheiro, de uma audiência que poderá ou não desembolsar, não porque ficam com uma parte da empresa mas sim porque acreditam nas pessoas, na ideia, ou ambos.

Gerber acredita que (nos Estados Unidos) o conceito de crowdfunding está-se a saturar e que num futuro próxima irá seguir o mesmo caminho das instituições de caridade.

Achei interessante este comentário pois somos cada vez mais, pela conjuntura económica, abordados por instituições de caridade mas ao falar com algumas, o povo Português parece estar cada vez mais a doar menos – um problema que leva algumas a refletir sobre a sua abordagem, procurando assim novas formas de chegar ao coração, e provavelmente consciência, de cada um de nós.

Por um lado, estes sites de crodwfunding conseguiram encontrar uma forma mais eficaz de solicitar apoio financeiro, mas não se podem limitar a criar a plataforma e ferramentas para que quem procure dinheiro, tenha uma forma legitima de o angariar. Têm que ir mais longe, escolhendo quais as ideias que conseguem criar em nós um desejo de pertencer, quer financeiramente, quer emocionalmente.

E volto assim ao inicio, os projectos que encontrei nestas plataformas. A maioria dos projectos pareceram-me criados meramente como oportunidades para quem os concebeu, para fins pessoais – um passeio Temático no Alto Tejo. Outros projectos fazem pouco sentido e baralham com a falta de informação – TrackStudent, “um dos 3 projectos finalistas do BET 24hrs Startup Challenge 1.0.” e na mesma página de projectos de sucesso, a BET Award – Challenge Startup 1.0? Um deles com vídeo em privado…

Nem mesmo o apoio do Banco Espírito Santo parece conseguir criar algo com maior destaque – BesCrowdfunding com PPL e sucesso. Numa altura em que o empreendedorismo e os startups estão em vogue, porque não existe mais e melhores ideias que procuram apoio? Qual foi afinal o objectivo do BES? Alcançado? E o que vão ou estão a fazer para que esta sub plataforma do PPL não se junte ao cemitério da Web.

O crowdfunding em Portugal já mostrou que é capaz de angariar recursos financeiros para os seus projectos – MassiveMov disponibiliza um infograph dos resultados de 2012 – €76, 799 angariado (assumo que é o valor dos projectos que atingiram o seu objectivo), 1852 apoiantes, 11 startups criadas (não empresas) e 20 postos de trabalho criados.

É pouco, mas é um bom inicio se realizarem que vão ter que fazer muito mais que (simplesmente) criar uma plataforma com ferramentas – eles próprios vão ter que investir mais no seu conceito.

Imagem: montagem do projecto com screenshot do video do projecto

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