in Social Media

Durante décadas, jornalistas eram profissionais credenciados, que se comprometiam a seguir uma especifica conduta na sua arte – com uma enorme responsabilidade perante o publico, jornalistas eram, e são, treinados para serem imparciais, metódicos e acime de tudo, verificar as suas fontes antes de publicar algo.

Mas nos últimos anos, o fenómeno de blogues, bloggers e social media, vaio dificultar, para não dizer impossibilitar, o profissionalismo nesta árdua e nobre profissão.

Social Media

Se por um lado, o Breaking News era algo exclusivo às grandes cadeias de noticias, com milhares de jornalistas espalhados pelo mundo fora, que entravam em direto com um bloco de notas e alguns apontamentos dos poucos factos que até ai teriam conseguido verificar, social media, e em especifico, o Twitter, mudou a forma como ouvimos de acontecimentos de locais que até muitas das vezes nunca tínhamos ouvido falar.

Nasceu assim o citizen journalist, o membro do publico que normalmente é o primeiro no local, armado com um smartphone capaz de disseminar imagens, vídeo e texto pelo mundo fora – em tempo real.

A velocidade a que esta informação agora nos chega, faz com demasiadas das vezes, o Breaking News não seja validado nem confirmado, como o verdadeiro jornalismo o obriga a ser. Não há tempo, muitas das vezes não há interesse e existe uma necessidade por parte do publico de receber informações sem as questionar.

O Modelo de Negócios de Publishing Online

Sérios negócios forma criados no passado assentes no modelo de negócios cuja publicidade era a principal, e em muitos casos, a única fonte de rendimento para todos os sites de conteúdo online. Mas com tempo, o anuncio tornou-se um obstáculo para tudo que o utilizador pretendia adquirir de forma gratuita e rápida. A sua falta de atenção, ou paciência, revelava-se na forma como fazia skip, todas as vezes que alguém tentava fazer dinheiro com esse pequeno visionamento.

Presentemente, poucos acreditam que o modelo de negócios cuja principal fonte de rendimento venha da publicidade, seja viável e/ou sustentável. E a mudança para mobile, através dos inúmeros dispositivos, só veio complicar mais. Os ecrãs são muitas vezes demasiadamente pequenos e o call-to-action que normalmente acompanha o anuncio online, não tem o mesmo impacto no mobile – Google recebe menos 40% por cada anuncio mobile, comparado com o desktop.

Freemium

Um dos principais problemas com o primeiro dot.com bust foi a falta generalizada de conhecimento sobre como fazer dinheiro online. O simples facto de termos uma enorme audiência, elevado numero de page views e/ou visitas ao nosso site, não nos confere qualquer direito de conseguir fazer dinheiro.

Não basta ter tudo isto – uma proposta de negocio viável necessita de formas de captar o dinheiro, destes turistas online, para que se consiga ter lucro com qualquer iniciativa desenvolvida. Valor acrescido é fundamental mas será que há a procura necessária?

O termo Freemium foi introduzido, pela primeira vez, pelo Lukin, mas este principio não era novo – nos anos 80 e 90, os videojogos eram muitas vezes oferecidos, com poucas funcionalidades, na esperança que os utilizadores ficariam seduzidos a comprar o full package (melhor sem tradução).

Mas algo inesperado aconteceu – surgiu uma geração que espera ter conteúdo gratuito. Desde noticias online a sites como o Napster, YouTube, etc.

O problema reside no facto que ninguém parece agora querer aprofundar nada, ou seja, o modelo Freemium parece não estar a vingar pois os utilizadores não sentem necessidade de aprofundar mais, ficando “satisfeitos” com a versão gratuita.

Mas existem casos em que uma versão gratuita tornou-se paga através de alterações no serviço – Spotify. O problema com esta estratégia não é tanto para os pioneiros mas sim para os que agora tentam emular o mesmo – o utilizador torna-se cada vez mais cínico ciente que o que pode ser gratuito agora, será pago mais tarde.

Facebook é um exemplo claro onde lutam para conseguir ganhar dinheiro com 1/7 da população mundial. Porque não cobraram logo às empresas para ter uma página na maior rede social do mundo? Porque continuam acreditar que vão inventar uma nova formula para extrair dinheiro aos utilizadores?

independentemente de se acreditar que a maioria das pessoas estão completamente viciadas no Facebook, tendo investido tanto nas suas próprias redes e presença na rede, Facebook não consegue nem cobrar 12€ por ano aos seus utilizadores?

LinkedIn é provavelmente um dos melhores exemplos de quem conseguiu sempre fazer dinheiro, através do seu serviço de valor acrescido. Mas poucos outros percebem como e porquê.

O Clima Economico

Num clima económico em que nenhuma industria escapou às necessidades de cortar custas, e em alguns casos, onde foi uma questão de pura sobrevivência, os jornalistas caíram também vitimas. Mas não foi só uma questão dos recursos humanos serem o maior custo das empresas – as próprias mudanças acima mencionadas pareceram trazer oportunidades mais baratas, e em certos casos, gratuitas, a quem antigamente necessitava de um exercito de jornalistas.

Mas tudo isto a um custo – falta de conteúdo original.

De Criação à Partilha

Não é necessário grande analise para percebermos que toda a partilha, agregação e/ou curadoria só é possível quando existem pessoas a criaram conteúdo original. Mas a nova economia de conhecimento está repleta de aqueles que escolhem partilhar em vez de criar. Um erro que vimos em outros sectores como a pesca – se não houver peixe, o que vão fazer os pescadores? O que vamos comer? Numa economia de conhecimento, o que vamos aprender? Ideias recicladas e partilhadas?

A criação de conteúdo necessita de dois ativos que se tornaram caros e preciosos – tempo e dinheiro. Tempo para pensar, pesquisar, aprofundar e dinheiro para pagar a quem se dedica a pensar, pesquisar e aprofundar. Alguns já avisam há muito tempo do que nos espera num futuro próximo.

Blogger ou Jornalista ou Jornalogger?

E o problema agora é esse. Se por um lado os bloggers não são obrigados, nem se espera que tenham os mesmos princípios que os jornalistas, a mesma escola, e o mesmo investimento na sua arte, por outro lado conseguem ter audiências superiores aqueles que lutam pela veracidade, integridade, factos e analise. A opinião continua a ser fundamental, desde que seja fundamentada.

Bloggers, em alguns casos, ganham agora mais que os melhores jornalistas que temos no nosso pais. Plataformas como a HuffingtonPost, TechCrunch, TheNextWeb, Engadget, Mashable, conseguem valer mais e ter um maior retorno financeiro, que a maioria de jornais online que continuam apostar na verdadeira noticia. Mas na maioria dos casos, estes sites fazem pouco mais que regurgitar o que outros já escreveram.

Mas o problema é que SkyNews, Wall Street Journal, e muitos mais, acabam por ceder à pressão do pageview e começam agora a mostrar sinais bem claros que o verdadeiro jornalismo poderá estar a caminha da extinção.

Na realidade necessitamos de um equilíbrio entre bloggers e jornalistas, uns com uma visão diferente, outros com recursos para aprofundar. Mas o que não necessitamos é de uma mistura de blogging e jornalismo pois no fim vamos todos perder com essa falta de distinção entre ambos, uma ambiguidade que irá resultar numa economia nova de falta de conhecimento, assenta em mitos e rumores.

Imagem: Ashoka Knowledge

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