in StartUps

O problema é geral e facilmente identificável – quando chega a altura de escolhermos uma prenda para alguém, a maior dificuldade é acertar no que a pessoa verdadeiramente quer. Já há muito tempo que nos fartámos dos pijamas, gravatas, perfumes e cremes.

Mas o desafio não é tão fácil como parece pois a necessidade de ter algo que nos ajude a comprar aquela prenda, a que irá acertar na mouche, só surge periodicamente, quando alguém faz anos, casa ou quando o Natal aparece de repente.

Como é que uma plataforma pode então ter mindshare durante todo o ano? Como é que conseguem convencer os utilizadores a partilharem os seus desejos para que depois os seus amigos e familiares lembrem-se de ir lá? Ainda bem que não sou eu que tenho que resolver estas questões.

Wishareit (we share it) criou uma plataforma onde a pessoa regista-se, identifica os itens que gostaria de ter e depois partilha essa informação com a sua comunidade. Caso não encontre o que gosta, tem sempre a hipótese de adicionar um produto à lista que cresce com cada dia que passa e com cada utilizador que interage com a plataforma. Os últimos dias têm sido intensos com números avultados de utilizadores a visitarem a pagina.

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Sem duvida alguma que existem agora ferramentas que tornam este processo mais fácil, em especifico, a integração com Facebook, desde o fácil registo e acesso às plataformas até à partilha e procura de amigos do Facebook que possam já estar na plataforma.

O press kit da Wishareit dá-nos uma pequena ideia do que é necessário para um startup conseguir chegar ao ponto de ter um produto pronto para ser apresentado e trabalhado online. As etapas são muitas e a cada passo, não há grande margem para errar. Se por um lado os fundadores são obrigados a tornarem-se hackers atualizados e criativos, por outro têm que em simultâneo desenvolver algumas características que normalmente encontram-se numa equipa de profissionais mas nunca num só individuo –financeiro, criativo, pr, marketing, guru de vendas, networker, strategic thinker, apresentador, entre muitos outros.

Tinha marcado para falar com o João Romão ontem às 17:45 mas recebo um SMS dele a pedir para adiarmos 15 minutos. É legitimo pois acabavam de receber a noticia – boa e má. As boas noticias é que foram selecionados para fazerem um pitch para investidores no maior festival SXSW em Austin Texas. Its big news, acreditem… É uma oportunidade fantástica mas com zero garantias. As más noticias? Deram-lhes até à meia noite para decidir.

Wishareit SWSX

O diretor financeiro interno entra logo em ação – quanto custam as viagens, estadias, alimentação? Qual será o ROI? O programador pensa logo no seu roadmap e como irá alguma vez conseguir ter os “rebuçados” todos prontos para daqui a umas semanas. O responsável de marketing entusiasma-se com a história que pode ser contada. O CEO tem de decidir – já. Felizmente, a decisão é impulsiva e pouco analisada. Ao colocarem logo um post no Facebook, a decisão está mais que formalizada, o financeiro que se lixe.

Se há algo que aprenderam neste curto tempo (que lhes parece uma eternidade) é que não há margem para dúvidas, para fazerem demasiada analise entre custo e retorno, entre verdadeira e possível oportunidade. Vão ter que ir a todas pois a probabilidade de um startup ter sucesso, é baixa, muito baixa.

Mas Wishareit está no bom caminho. Têm passado inúmeras fases onde foram testados e venceram. Têm um produto bem concebido e que identifica uma necessidade que todos temos. E como sabem que é fundamental criar uma base inicial de utilizadores, passo a passo, utilizam os seus poucos recursos para criar uma competição “Be The Gift Guru”. Ao contrario da maioria de marketers das maiores marcas no nosso país, eles não oferecem nada sem algo em troca. Aprenderam uma lição valiosa, algo só possível quando temos o nosso próprio bebé ao contrario dos outros que parecem gerir uma creche das 09 às 18.

O vencedor é escolhido através da pontuação que resulta da interação do utilizador com a plataforma: Tutorial, atividades e amigos. O utilizador vai recebendo pontos por cada passo que dá, cada funcionalidade que utiliza, cada produto adicionado, lista criada e comunicação efectuada bem como todo o lado social, ou seja, o numero de amigos que tem, mas tão ou mais importante, a quantidade de amigos que consegue convidar. Este é o melhor exemplo do que se faz quando há pouco dinheiro mas uma enorme dose de paixão e convicção.

A equipa, João Romão, Pedro Moura, João Gomes, Nuno Tomás e João Veiga criam um puzzle complexo, encaixando, muitas vezes às escuras, todas as peças até conseguirem atingir o verdadeiro tipping point – e ninguém alguma vez sabe quando e como isso vai acontecer. É uma questão de fé… e big kahunas.

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