in Social Media

Parte do meu dia-a-dia é ocupado a experimentar novos serviços e apps que surgem a uma velocidade alucinante. Mesmo assim, tenho plena consciência que não chego à maioria, e inúmeras são aqueles que nem percebo muito bem o porquê da sua existência, muito menos do seu sucesso – Vine é (era) uma delas.

Um Vine é um vídeo com 6 segundos num loop ad eternum. No inicio relembrou-me da década passada quando a Web parecia ser invadida pelo animated gif, uma imagem que tinha uma sequência de imagens que lhe dava movimento. Algo que rapidamente se tornou irritante. Mas qual o meu espanto em ver a Google trazer de volta este principio, com a sua nova funcionalidade para as fotografias no Google +, utilizando a tecnologia comprada quando a Google adquiriu a Nik Software em Setembro de 2012.

Voltando ao Vine, instalei o app mas rapidamente o desinstalei mas fiquei sempre curioso em ver a sua adopção, nomeadamente pelos adolescentes, crescer exponencialmente. Uma brincadeira de putos? Eis a minha luta interna contra os preconceitos, o conflito de gerações e o facto que eu não sou, nem nunca vou pensar como um nativo digital. Mas no mínimo, procuro perceber o que leva alguém a filmar algo por 6 segundos que nos raramente conta alguma história útil.

Mas duas coisas acontecerem num espaço de um dia. Primeiro foi o Vine de Lucio Amorim que em 6 segundos conseguiu capturar a imensidade dos protestos mais recentes no Brasil, neste caso na Avenida Rio Branco.

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O segundo foi um artigo de  John Muellerleile que decidiu procurar no Twitter todos os links para Vines, criando uma base de dados de 4 milhões de Vines – uma pequena amostra se tivermos em consideração que diariamente são publicados 12 milhões de vídeos por dia. O resultado é uma base de dados que John intitulou vinecrawler.

Pode agora pesquisar esta base de dados para encontrar vídeos sobre Lisboa, viaturas ou até de culinária. Como seria de esperar, também tem agora um vasto repositório de pornografia.

O que me surpreendeu foi o resultado desta “investigação”, revelando que Vine é de facto utilizado por pessoas de diferentes culturas, geografias e gostos. Mas uma coisa é certa, os adolescentes reinam e não nos podemos esquecer que normalmente são nestas redes que as tendências surgem.

John Muellerleile explica o que encontrou no Vine:

“What I really found was humanity; all shapes, sizes, colors, and places, all things. When I find that, in the way I’ve found it through Vine, in one place, using one simple thing, I’m reminded that when we get the technology right, top to bottom — like pointing at something, in the moment, that you want to remember and share– it spreads everywhere, it’s natural, fundamentally intuitive to use, possibly magical in operation, like magnets, or gravity, or maybe even a little bit like life.”

Em 2010, Daniel Kahneman (Nobel in Economics | behavioral economics), um dos psicólogos mais influentes do mundo, apresentou no TED a sua pesquisa na área do comportamento, explorando as formas irracionais como tomamos decisões em torno do risco.

Kahneman explica que no nosso quotidiano, temos dois tipos de experiências: o experiencing self, aquela que se define pela total experiência, e o remembering self, aquela que acabamos por guardar na nossa memoria. Isto é facilmente explicado quando ouvimos as histórias, memorias curtas e muitas vezes desorganizadas, de umas férias, casamento, projeto ou até de um jantar entre amigos.

Finalmente percebi que se calhar um Vine, ou coleção de Vines, não é nada mais que estas pequenas histórias/memorias captadas em vídeos de 6 minutos e demonstradas aleatoriamente – nu e cru.

Vale a pena ver este vídeo:

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