in Social Media

Sean Parker não é uma personagem humilde, discreta ou privada, pelo contrário – Sean Parker é uma das pessoas mais carismáticas de Silicon Valley – you love him or you hate him.

Presentemente, um dos mais conhecidos empreendedores, Sean Parker foi co-fundador do Napster, Plaxo, Causes e Airtime e antigo presidente do Facebook. A ironia é que ele acabou por se tornar na vitima do seu próprio sucesso e pior, das ferramentas que lhe fizeram uma autentica fortuna – $ 2.1 mil milhões de USD.

Sean Parker foi alvo de criticas violentas sobre o seu casamento numa floresta. Um fácil alvo, a Web tornou-se num poço de ódio revelando-se através de comentários inflamatórios e ordinários. Sean Parker foi apanhado na curva desprevenido. A sua reação, através de um artigo extenso no TechCrunch, não ajudou em muito.

Sean já tinha a obrigação de saber que conteúdo polemico é capaz de propogar de forma exponencial, sem filtros e muitas das vezes sem lógica ou racionalidade. Foi ele que ajudou a criar uma Web sem “fricção” (the frictionsless Web) através de serviços como o Spotify, integrado no Facebook, onde a premissa por defeito é que todos partilhem instantaneamente o que fazem, transmitido em tempo real para o mundo apreciar, comentar e neste caso, atacar.

É irrelevante que o seu casamento não vai afectar a floresta, como também é irrelevante que a maioria dos media citaram-se uns aos outros. Sean Parker ficou espantado com o facto de nenhum blogger ou jornalista o ter contactado. Ele deve se ter esquecido que ele não é a pessoa mais acessível, pelo contrario – o tempo é pouco e só alguns é que têm acesso ao Sr. Parker, normalmente quando o próprio necessita de promover algo, seu.

[quote align=”right” color=”#999999″] They’ve become link-baiting jackals who believe that “truth” is whatever drives clicks. [/quote]

Sean Parker decidiu dar nos uma lição de moral, explicando que o jornalismo era agora vítima da economia, obrigando a quem escreve a prostituir-se através do “click-bait”, a criação de artigos e títulos ala Correio da Manhã e aparentemente a única forma de monetizar conteúdo. Não é a única forma mas na realidade é a mais fácil requerendo o menor esforço intelectual – os factos tornaram-se secundários e a escrita “evoluiu” de uma arte para entretenimento instantâneo.

Mas o seu artigo, uma supérflua tentativa de mea culpa, acaba por insultar a inteligência de quem ainda consegue ler, analisar e concluir que neste caso, esta foi mais uma tentativa de gestão de crise infetada com uma aparente auto reflexão. Sean Parker até chega a questionar se ele próprio é responsável pela presente sociedade que escolhe rumor em torno do facto.

Regardless, I can’t escape the feeling that there is a kind of cosmic irony at work here… I have spent more than a decade creating products built on the premise that the democratization of media was a good thing, that self-publishing, the free sharing of information, and the removal of the media “gatekeepers” would all lead to a freer, more open media — with the implied assumption that this was a “better” media…

É no mínimo irónico, não pelas razões citadas, mas sim porque, independentemente de ele ter sido enxovalhado online, Sean Parker tem a capacidade/possibilidade de publicar um artigo de opinião num dos sites mais lidos online: TechCrunch.

Mas Sean Parker perdeu o seu direito moral de atacar aquilo que ele próprio ajudou a criar e que lhe tornou rico, muito rico. Eu tive a oportunidade de ver uma entrevista com o Sean Parker no Le Web 2011 mas não me lembro da sua preocupação com o estado do jornalismo – pelo contrario, Sean Parker falou das novidades do Facebook e Spotify, nomeadamente na democratização dos media.

Sean Parker perdeu a oportunidade de defender, não a si próprio, mas sim todos aqueles que diariamente são atacados online sem a necessária voz e audiência para conseguir passar o seu ponto de vista. Ao contrario de todos esses que sofrem diariamente com a estupidez coletiva da Web, ele não será afetado, necessitando somente de um curto espaço de tempo para reparar o seu ego.

Imagem: Valleywag/Gawker

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