in Google

Existe já há muito tempo, especulação sobre a Apple e a sua nova (possível) televisão que está aparentemente a ser desenvolvida. Na realidade, o que as pessoas parecem querer, ou até necessitar, é de uma revolução que resolva a nossa relação de há décadas com o controlo remoto e todos os outros equipamentos que temos que ligar ao principal ecrã de casa – a nossa televisão.

Mas a maioria de empresas parecem não ter percebido que o que o consumidor queria mesmo era simplicidade e não um maior numero de funcionalidades. A maioria embarcou numa aventura chamada SmartTv onde supostamente a promessa era que tudo ficaria resolvido mas os comandos continuaram inutilizáveis e a complexidade aumentou. Da maioria de consumidores que compraram SmartTvs, somente uma minoria as ligou à Web e esses poucos acabaram por desistir rapidamente.

Google entrou na corrida com a sua Google TV mas acabou por revelar que pouco ou nada percebia das necessidades dos seus utilizadores. Mas da mesma forma que perdeu esta pequena batalha, rapidamente voltou, desta vez com o Chromecast.

O novo Chromecast é um pequeno aparelho, parecido com uma pen USB, que liga a uma entrada HDMI da sua televisão e ainda tem uma outra saída que pode ser ligada à entrada USB, para quem a tem. Como sempre, convêm ler o fine print, aquele texto que poucos se dão ao trabalho de ler, para perceber que a saída de USB no Chromecast necessita de uma ligação para ter energia. O custo é quase tão significativo como a sua utilidade – $35 USD.

Chromecast

O Chromecast liga à sua rede de Wi-Fi, permitindo o streaming de conteúdo para a sua televisão, direto de outro dispositivo, seja ele um portátil, smartphone ou tablet.

Na realidade, o utilizador tem que estar a utilizar o navegador Chrome, clicando num botão “Cast” para iniciar o protocolo de transferência de dados de um aparelho para outro.

Um dos exemplos que a Google utilizou na apresentação oficial do Chromecast em São Francisco na semana passada, foi de enviar um vídeo do YouTube para a televisão através de um Nexus 7 novo com o beneficio do dispositivo não estar a fazer o download do conteúdo.

Google demonstra assim uma diferença na sua abordagem que até aqui, colocava o hardware e software na própria televisão. Esta nunca seria a melhor solução pois obrigava o utilizar a comprar novas televisões todas as vezes que existe-se um melhoramento no hardware.

A vantagem do Chromecast é que este dispositivo, pequeno e barato, funciona em qualquer televisão que tenha entrada de HDMI e qualquer dispositivo mobile que tenha o Chrome instalado, seja ele Android, iOS ou até Windows.

Chromecast

Pode sempre passar de um dispositivo para outro, decidindo o que quer ver ou fazer, tomando controlo de uma variedade de funcionalidades – volume, play, rewind, fast forward, etc.

Chromecast não necessita de outro hardware, funcionando com a maioria de dispositivos mobile, incluindo praticamente todos os portáteis. Esta mudança faz com que a televisão passe a ser meramente um segundo ecrã, maior. O dispositivo mobile passa a ser o remoto controlo. Boas noticias para os 75% de utilizadores que não têm a mínima ideia em como enviar conteúdo para a sua televisão. Más notícias para os fabricantes desesperados para vender mais televisões com uma maior margem.

Chromecast não é a solução para todos os nossos problemas, nem acaba por resolver metade, mas pelo menos demonstra que estamos no caminho certo para finalmente integrar todos os dispositivos na nossa casa. Podemos continuar a sonhar no dia em que temos uma forma única e simples de ver e fazer o que queremos com a nossa televisão, independentemente de todos os outros serviços que somos “obrigados” a subscrever.

Continuamos à espera da Apple para resolver um problema eterno. Porquê a Apple? Porque independentemente de sermos fãs ou não, Apple foi até agora a única empresa que nos deu simplicidade sem termos que perder usabilidade e/ou funcionalidade. Com alguma sorte, Google chega lá primeiro pois nenhum de nós quer viver num mundo em que só uma empresa reina na inovação – inovação sendo muito mais que tamanho de ecrã.

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