in Wearable Tech

Ontem foi um grande dia para a Samsung pois penso que terá sido a primeira vez que a empresa da Coreia do Sul lançou-se para uma nova categoria de produto. Isto se assumirmos que o lançamento do Note foi mais uma alteração em tamanho que propriamente uma nova categoria, reforçado pelo próprio nome ridículo de “phablet” – a convergência do mobile phone com a tablet. Para outros não foi nada mais que colocar funcionalidades de chamadas num tablet. Uma coisa é certa, acertaram na questão do tamanho obrigando a Apple mais tarde a seguir e lançar o mini iPad.

Samsung revelou finalmente a sua contribuição para o futuro que vai se certamente focar em wearable computing. O problema é que nenhum de nós sabe exatamente o que isto pode ser. Não nos podemos esquecer que o ponto de viragem dos telemóveis foi em 2007 quando a Apple lançou o iPhone. A maioria dos consumidores queixavam-se dos telemóveis mas nunca ninguém assumiu publicamente que o futuro era touch. Tivemos que ver para perceber, e depois abraçamos o conceito proporcionando à Samsung e à Apple uma verdadeira oportunidade de facturar nos mil milhões por trimestre, só numa categoria que muitos assumiam pertencer à Nokia e RIM (Blackbery).

Voltando ao lançamento da Galaxy Gear Smartwatch, por um lado verificamos uma mudança no mercado com a Samsung a ter a ousadia de se lançar para o mercado de wearable computing antes que o mesmo esteja devidamente identificado e antes do seu grande rival. É que a maioria de pessoas têm abandonado a utilização de um relógio dado o mesmo ser um dispositivo com uma única funcionalidade, algo que o smartphone acabou por substituir.

Samsung SmartWatch

Ainda me ri quando ouvi que a maioria das pessoas têm que ver o seu smartphone 2 vezes cada vez que querem ver as horas. A primeira vez acabamos quase sempre por não ver a hora. Ou seja, tiramos o smartphone do bolso para ver as horas, guardamos, só para verificar que fizemos tudo menos ver a hora. Adiante.

Na realidade, o lançamento do smartwatch da Samsung veio colocar em perigo o futuro do Pebble, Martian, I’m Watch, Cookoo e o Sony smartwatch entre outros que se lançaram neste mercado assumindo que seria tão simples como criar um smartwatch que comunica com um smartphone e mostra notificações, mensagens, tira fotografias e em alguns casos tem um microfone e coluna para fazer chamadas – lembram-se do Dick Tracy ~1943?

Dick Tracy

Mas nenhum deles fez moça. Ao lançar antes da Apple, Samsung finalmente antecipa o seu grande rival, mas por outro lado a sua ousadia de estratégia não recaiu sobre o seu smartwatch, quer em design, quer em termos de tecnologia. A próxima jogada está do lado da Apple (caso seja verdade um possível futuro lançamento do iWatch). Se a Apple lançar algo revolucionário como fez com o iPod, iPhone e iPad, será a Samsung forçada a mudar e adaptar?

A Samsung poderá bem ter se colocado entre a espada e a parede. Primeiro a lançar, mas sujeito ao que a Apple possa aprender do seu lançamento. Não podemos esquecer que a Apple nunca foi a primeira empresa no mercado com cada um dos seus produtos de sucesso – entrou quase sempre a meio do campeonato.

Samsung poderia até ter criado algo digno de ser chamado inovador mas acabou por jogar pelo seguro. Só o tempo é que dirá se esta estratégia a curto prazo vai ter sucesso. Pessoalmente, e sem ter tido a oportunidade de utilizar o Galaxy Gear, partilho a opinião do Ian Fogg, diretor de mobile e telecoms na IHS:

“Based on the features announced today, it appears that Samsung’s Galaxy Gear smart watch is a prototype masquerading as a commercial product – and because of that, it is unlikely to be successful in the market,”

e

“The device exhibits multiple shortcomings, including a high price tag, a short battery life, its status as a companion device and its limited compatibility. The bottom line is the Galaxy Gear smart watch probably will not succeed in the market and Samsung will need to try again with a more refined product.”

Na realidade, o mínimo que o mercado esperava era algo semelhante a este protótipo,

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algo que ninguém ainda lançou, não pelas limitações da tecnologia mas sim pelo custo que iria tornar o produto demasiado caro. O problema é que a maioria já assumiu que o futuro será wearable computing, mas ninguém parece até agora ter conseguido demonstrar o formato e as funcionalidades que o consumidor necessita mas ainda não o sabe. Google glass parece estar mais perto do futuro.

Parabéns à Samsung pela coragem e por agora obrigar outros a fazerem melhor.
Your move Apple.

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