in iPhone

É muito fácil criticar a Apple pela (aparente) falta de inovação, mas percebe-se pois vivemos numa sociedade de gadgets, informação (questionável) em tempo real, conceitos que parecem produtos possíveis de existir e pior de tudo, uma dependência doentia na gratificação instantânea. Como a Apple, a Samsung também já começa a ser questionada – provavelmente o preço de passarem do nicho para as massas, de underdog para líder. Seja como for, o que devíamos todos querer é um equilíbrio no mercado com bastante competição – só assim é que os consumidores ficam a ganhar.

O lançamento ontem levou muitos a voltarem ao argumento que a Apple não inova e está no caminho errado. Mas esses parecem viver agora na eterna procura de mais pageviews, acabando por erradamente denegrir a imagem de uma marca na ausência da tal surpresa que tanto necessitam.

iOS7 e iPhone 5C

Se não tínhamos percebido muito bem a mudança quase radical no design do novo sistema operativo iOS 7, com o lançamento do iPhone 5C, tudo fica mais claro. É que o iOS 7 fica lindamente no 5C, provavelmente o iPhone que Jony Ive sempre quis desenhar mas nunca o poderia ter feito sobre a micro gestão de Steve Jobs.

iPhone5C

O 5C acabou por ser mais importante que o 5S. Se muitos especulavam que a Apple iria entrar no mercado low end com um dispositivo privado da tecnologia mais recente, para ser vendido no terceiro mundo, ontem deveriam ter percebido o quão errados estavam. O 5C está repleto de toda a tecnologia do iPhone 5 mas com melhoramentos. A única e grande diferença é no plástico utilizado no 5C e as diferentes cores disponíveis.

O 5C com o iOS 7 revela-se um smartphone suficientemente diferente para aumentar a quota de mercado que a Apple tem perdido nomeadamente à Samsung – mas não à custa de margens ou pior ainda, qualidade.

Eu não gosto do 5C, como muitos outros também não vão gostar, mas o lançamento abre mercados importantes para a Apple. O seu custo de fabrico é inferior mas o smartphone não sofre por causa disso – para a Apple, comprometer a qualidade para baixar o seu custo nunca foi uma opção, algo qe não se pode dizer da Samsung.

A aposta da Apple é claramente no iPhone 5C deixando o 5S como premium – não é por acaso que introduziram o dourado, a cor que provavelmente no 5S vai vender mais – todo o bling sem que se torne foleiro.

iPhone 5S

O iPhone 5S é de facto uma iteração do 5 mas vem com algumas novidades interessantes. O 5S vem equipado com o novo 64-bit A7 chip, o primeiro smartphone a ter 64-bit, tornando-o duas vezes mais rápido que o iPhone 5, um processador gráfico M7 e uma bateria com maior capacidade – 40 horas de música, 10 horas de web browsing em LTE e se por algum motivo for de férias sem o 5S e desligue a eletricidade em casa, tem 10 dias de standby…

iPhone5S

Disrupções

Mas além destes melhoramentos e câmera nova, o iPhone 5S vem equipado com um sensor de impressão digital (Touch ID), um scanner com uma resolução de 500 ppi que será utilizado para autenticar o seu iPhone bem como as compras que venha a fazer no iTunes ou App Store. Mas os portáteis já tiveram esta tecnologia mas depois foi retirada – porquê colocar agora algo já utilizado e retirado do mercado? Simples, porque só agora é que a tecnologia garante que o sistema funcione quase 100% das vezes. Independentemente de o sensor só ter estas duas funcionalidades, Apple prepara-se para o futuro de autenticação que não pode passar por passwords, um sistema que todos já perceberam ser relativamente inútil. Este sensor poderá bem disruptar o futuro de pagamentos mobile, algo que ninguém consegui ainda com sucesso.

Pessoalmente, não tenho passcode no meu iPhone pela simples razão que todos o iriam ver cada vez que quisesse aceder a algo no iPhone. Pior ainda é que a maioria coloca o mesmo pin que utiliza para os seus cartões de debito e crédito. Este sensor é algo que eu quero, alias necessito. Mas não vou trocar o meu 5 pelo 5S – estou muito satisfeito este modelo não é para quem tem o 5 mas sim para aqueles que ainda têm o 4 ou 4S. O upgrade será substancial.

Outra inovação que passou um pouco despercebida foi a introdução de “motion coprocessor” que permite utilizar o iPhone 5S como dispositivo de fitness sem qualquer impacto na bateria do 5S. A informação é recolhida e guardada numa base de dados, somente acedida quando é necessário. Da mesma forma que o iPod vaio matar todos os outros dispositivos de MP3, e o iPhone vaio canibalizar o iPod, este “motion coprocessor” tem todas as hipóteses de disruptar o mercado de fitness.

Inovação – SmartTV e Smart Watch

Quando a Samsung, Sony e Qualcomm lançaram os seus respectivos smart watches no mesmo dia, verificamos que enquanto a concorrência acha-se melhor que a Apple, todos têm um tremendo medo de ficarem para trás. A paranoia é tanta que acharam fundamental lançar relógios com alguma tecnologia. Tecnologia essa que vaio acrescentar pouco. É essa a inovação que todos esperam da Apple? Um smart watch igual aos que já existem, com uma bateria que não deve durar mais que 4 horas e é neste momento um extra para um note e tablet?

Ninguém sabe se a Apple vai lançar ou não um iWatch ou até uma nova televisão. Mas uma coisa é certa, a Apple não irá lançar nada parecido com o Galaxy Gear “smartwatch” ou o “smartwatch” da Sony – todos vão falhar como os outros que foram lançados antes. Só vamos ver um iWatch e/ou televisão nova se a Apple tiver a certeza que consegue resolver todos os problemas que o smartwatch e smartTV não conseguiram até hoje fazer.

Apple Na Bolsa

Infelizmente, continua-se a ver artigos que no meio de uma opinião subjetiva sobre o estado da Apple, utilizam o valor das ações para reforçar o seu argumento – seja em alta ou em baixa. Mas este argumento é para todos os efeitos irrelevante.  Verdade que existe uma correlação entre desempenho e valor das ações a longo prazo, mas para períodos mais curtos, especialmente numa economia global tão volátil, o mesmo já não se pode dizer.

Um excelente exemplo é a economia dos Estados Unidos e a Dow. No primeiro trimestre de 2009, o seu index estava nos 7,600 (após ter chegado durante este período aos 6,500). No fim de Maio de 2013, o Dow fechou nos 15,100, ou seja um aumento de 99%. E a economia? Mas todos ligam a economia à bolsa para justificar os seus argumentos que o Estados Unidos está a recuperar.

Existem demasiadas razões para que o valor em bolsa não seja utilizado para sustentar uma opinião especialmente quando inclui argumentos pós Steve Jobs – vamos deixar esse tipo de argumento para o Jesus Cristo (BC/AC).

Na realidade, a bolsa presentemente é demasiada complexa, gerida por algoritmos e sistemas que já se provaram demasiado incertos para o bem de todos – existem agora mecanismos de segurança depois da bolsa de NY ter descido mais de 50% no mesmo dia, rapidamente retomando o seu valor inicial – tudo em meros segundos.

Mais, a bolsa existe para se fazer dinheiro e alguns investidores conhecem muito bem a correlação entre sentimento e decisão irracional, permitindo fazer dinheiro em alturas especificas. Porque não vender ações no dia do lançamento em que a imprensa já sabia tudo e ficaria sempre desapontada pela falta de “surpresa”, subsequentemente levando as ações a descerem, só para depois comprar no dia antes dos dispositivos estarem disponíveis para compra, altura essa em que normalmente as ações sobem com as noticias das milhões de unidades vendidas no fim de semana.

Se está a pensar comprar ações – compre da Apple mesmo que não goste da empresa ou dos seus produtos – é um excelente investimento pois vão subir, mesmo sem Jobs.

Até Outubro, altura em que vamos ter novidades sobre o iPad e provavelmente o iPod.

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  • Apple, Amazon e a Bolsa | Tudo Mudou

    […] o disse várias vezes, e vou repetir, não vale a pena utilizar argumentos sobre o estado de uma empresa com base no seu […]