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Getty Images, acabou de disponibilizar 35 milhões de imagens para serem utilizadas gratuitamente, com o intuito de lutar contra a indevida utilização das suas imagens. Mas será este jogada ousada um disfarço para algo mais sinistro?

Para que qualquer pessoa possa utilizar estas imagens sem pagamento da divida licença, Getty Images utiliza um formato semelhante ao YouTube – o embed, ou neste caso, o “visualizador incorporado”. Da mesma forma que qualquer pessoa pode colocar um vídeo do YouTube no seu site, agora vai conseguir fazer o mesmo com imagens da Getty Images. A diferença é que as imagens só podem ser utilizadas para fins não comerciais e é aqui que pode residir o perigo.

É que enquanto YouTube não quer saber se o vídeo está num site com uma utilização comercial, a Getty Images quer, e provavelmente vai utilizar essa informação contra si, se decidir que o seu site é de facto para uso comercial. Mas além da informação que dão no seu site (termos e condições), a definição de não comercial é subjetiva:

“Poderá utilizar Conteúdos da Getty Images incorporados apenas para fins editoriais (ou seja, relacionados com eventos alvo de notícia ou de interesse público).”

Mais, a Getty Images poderá bem retirar a qualquer momento, e sem prévio aviso, a imagem utilizada deste grupo de imagens passíveis a serem utilizadas desta forma. Ficará assim com algo em substituição da imagem. Quer mesmo ter esse trabalho de verificar se todas as imagens continuam a fazer parte deste programa? E como é que a Getty Images vai utilizar a informação que recolhe da sua utilização? É que os objetivos da Getty Images não são tão claros como os da Google – colocar anúncios. Mas a Getty Images também reserva o direito de colocar anúncios nas seguintes condições:

“A Getty Images (ou terceiros a atuar em seu nome) poderá recolher dados relacionados com a utilização do Visualizador incorporado e de Conteúdos da Getty Images incorporados, e reserva-se o direito de colocar anúncios no Visualizador incorporado ou, de qualquer outra forma, gerar receitas com a sua utilização sem qualquer compensação para o utilizador.”

Mas enquanto Getty Images aceita que o site não comercial tenha Google Adwords, o mesmo já não se pode dizer para um site ou blogue que promove uma empresa. Este blog é do interesse público ou é um veiculo de promoção para o autor ou marca TudoMudou?

Não confio numa empresa que em vez de se adaptar ao novo mundo digital de forma transparente, decide faze-lo mas com o pretexto que está de facto a lutar contra a pirataria. Um pensamento old school disfarçado num ato que aparentemente ajuda o blogger ou editor que não tem dinheiro para comprar as imagens ou desconhece as leis que defendem o autor.

É que em vez de Craig Peters, senior vice president of business development, content e marketing na Getty Images, dizer:

“We’re really starting to see the extent of online infringement,”

Estaria à espera de algo mas parecido com:

“We’re really starting to see the extent of online sharing and the proliferation of photographs from smartphones and as our services are in decline, we are joining the movement for the greater good of our customers”.

Craig continua:

“What we’re finding is that the vast majority of infringement in this space happen with self publishers who typically don’t know anything about copyright and licensing, and who simply don’t have any budget to support their content needs.”

Desta forma, Getty Images encontrou a melhor solução. Já agora que “desconhecem as leis” vão também desconhecer os verdadeiros motivos pelo qual agora a Getty Images vai ter informação sobre quem viola estes direitos, informação essa submetida através do próprio, disfarçado num novo sistema de visualizador incorporado, aplicando-se perfeitamente o ditado:

“There’s no such thing as a free lunch”.

Esta decisão não vai cair bem com os fotógrafos que são automaticamente registados neste novo regime de partilha, só podendo optar por não disponibilizar as suas fotografias, deixando a Getty Images.

Certamente, a noticia não ficará por aqui.

Imagem: Wikipedia

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