in Tecnologia

“Hipertexto é uma forma de ligar a e aceder a informação variada como uma rede de nódulos no qual o utilizador pode viajar a seu ritmo. O mesmo fornece uma interface para o utilizador aceder a grandes classes de informação (relatórios, notas, bases de dados, documentação informática e ajuda online. Propomos um esquema simples incorporando servidores já existentes na CERN” referia a proposta inicial para a criação do que iríamos tanto depender de – a World Wide Web.

Foi aqui que tudo começou. Para que se perceba a amplitude da Internet é imprescindível perceber como algo tão central e dominante na nossa sociedade começou de forma tão simples pelo Tim Berners-Lee e Robert Cailliau para dar face a um melhoramento na partilha de informação entre um núcleo tão específico. Ainda mais interessante é o facto que parecemos ter dado uma volta completa começando num nicho, passando pelas massas, voltando agora aos nichos – à relevância – que acaba por se definir como subsistemas de uma enorme comunidade global.

Já a Internet foi originalmente desenhada para ser distribuída de forma aleatória, de modo a criar uma rede de comunicações capaz de sobreviver a um ataque. Nos anos 90, físicos começaram a estudar a Web pois a mesma aparentava ser uma rede na qual os trajectos dos nódulos e as suas ligações conseguiam ser analisados.

Posteriormente, cientistas informáticos observaram que de facto a Web não era distribuída de forma aleatória, sendo que os mapas da Web mostravam que alguns nódulos tinham um número elevado de ligações em detrimento de outros que contavam com apenas algumas.

Em 1991, a SLAC (Stanford Linear Accelerator Center) na Califórnia, tornou-se o primeiro servidor de Web nos Estados Unidos mas ainda não se via a possibilidade, utilidade e provavelmente a existência de uma mega rede de sistemas de hipertexto. De seguida, menos que doze meses depois, juntaram-se outros servidores em Hamburgo, Amesterdão e Chicago, o que acabou por dar inicio ao disputo de grande interesse no potencial inerente.

Enquanto Tim Berners-Lee e outros desenvolviam e enriqueciam o estandarte para a estruturação de dados, programadores começavam a melhorar os browsers. Um destes programadores, o Marc Andreessen, lançou em Janeiro de 1993 uma versão de browser que utilizava o click como ferramenta para ir de um ponto para outro, desenhado para uma utilização nos sistemas de Unix. Versões gratuitas foram lançadas meses depois para os sistemas operativos da Macintosh e Windows.

Berners-Lee continuava o principal impulsionador na primeira geração da Web, introduzindo um formato uniforme de localizar recursos com as siglas URL (Universal Resource Locator), um protocolo para a transferência de hipertextos http (Hypertext Transfer Protocol) e o estandarte HTML. O interesse aumentava com cada passo e outros acompanhavam numa guerra aberta para a criação da janela para tudo da Web.

A Netscape tornou-se assim o browser do mercado pela mesma razão que outros mais tarde seguiriam a mesma estratégia – Netscape, ao contrário da Mosaic de Berners-Lee era afinal gratuito para o utilizador final enquanto a Mosaic era vendida para a sua integração em sistemas de terceiros. Mosaic acabaria por se tornar no browser da Microsoft 95 como a Internet Explorer 2.0 (com uma certa ironia). A motivação para o desenvolvimento da Netscape acabava por vir não só de paixões, mas para alguns, pela alternativa ao seu insucesso – trabalhar para destruir a força da escuridão: A Microsoft.

Gary Wolf escreveu na Wired 2.10  “The (Second Phase of the) revolution has begun” que o ódio que se instaurava em Andreessen, num sentimento de anti-Gates, poderia até vir da subtil miasma da sua própria ambivalência. Era afinal ele, Andreessen, que tinha iniciado o browser proprietário, envolvendo-o em secretismo, muitas vezes colocando-se em conflito com o ambiente aberto da Web.

Já Steve Jobs mais tarde declarou que “a coisa mais importante para a Web é de se manter à frente da Microsoft”. Mais tarde Jobs reiterava de forma mais concreta o aparente risco que todos corriam incitando que “temos uma janela de dois anos. Se a Web não se tornar omnipresente, Microsoft irá a controlar e isso será o fim da mesma.” Não foi isso que a Google acabou por fazer?

A combinação dos protocolos de Tim Berners-Lee, que dava lugar a conectividade, e o browser de Marc Andreessen, que fornecia uma interface magnífica, acabou por se tornar explosivo pois num período de apenas dois anos, a Web foi de ser praticamente desconhecida a uma ubíqua absoluta.

Em 1995, a Netscape teve a terceira maior oferta inicial (IPO) na NASDAQ. Três anos depois, o código da Netscape foi publicado online no novo site da Mozilla para que qualquer pessoa pudesse-o analisar e melhorar, tornando-se assim parte do ambiente de open source – gratuito. A Fundação Mozilla começou assim o desenvolvimento no que se tornava mo segundo maior browser, mesmo que tendo uma quota de mercado pequena em comparação com o Internet Explorer da Microsoft.

A pressão da Microsoft fez-se sentida e em Novembro de 1998, a Netscape foi vendida à America Online (AOL) por 9 mil milhões de USD. Este investimento teria o seu retorno da forma menos aduladora – a 1 de Fevereiro de 2008, a Netscape acabou com todo o suporte e desenvolvimento para a Netscape.

Em 2004 a Mozilla mudou de nome para Firefox e gradualmente, no inicio, crescia enquanto se afigurava para os “verdadeiros conhecedores” como o browser a utilizar, tal como o Mac tornava-se notório num ambiente propicio à inovação e conhecimento de causa, mesmo tendo só 3% do mercado.

amanhã… A Internet Parte II

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