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Shark Tank, a série na ABC que iniciou a 9 de Agosto de 2009, não foi logo um sucesso. Aliás, até Mark Cuban se juntar aos outros tubarões, a série não estava a conseguir as audiências normalmente associadas aos reality shows.

Para os poucos que não conhecem, Shark Tank é um programa onde empreendedores apresentam a sua empresa a 4 investidores que colocam várias perguntas aos fundadores com o intuito de conseguir um investimento em troca de uma percentagem da empresa. Nem sempre se trata de quem dá mais dinheiro por uma menor fatia da empresa. É que existe também o factor de qualidade e provavelmente mais importante, relevância da experiência de cada investidor.

Com a entrada de Mark Cuban, o programa começou a demonstrar uma maior tração revelando a importância de Mark como investidor, personalidade e status de uma autêntica estrela de rock, ou neste caso, tech.

Inicialmente, Mark Cuban só estava previsto ocupar o lugar de guest shark durante 3 episódios mas dado a sua carisma, os produtores prolongaram a sua presença e Mark Cuban acabou por fazer parte da equipa principal de sharks.

É incrível pensar que Shark Tank é o programa mais visto nos Estados Unidos e em família, contaminando a nova geração com o bichinho do empreendedorismo – jovens que já percebem o conceito de empreendedorismo, avaliações e razões para investir ou desistir, isto num país que por si já abraçava o empreendedorismo como poucos outros. De certa forma, o programa vaio reforçar a ideia que o American Dream é uma verdadeira possibilidade para quem esteja desposto arriscar.

Inicialmente, o formato do programa obrigava a que cada investimento incluísse 5% da empresa em equity, revenue ou profits (uma espécie de pay for play) mas Mark Cuban só concordou em voltar para a terceira temporada caso retirassem esta cláusula – a influência de Cuban acabou por fazer com que alterassem esta condição.

Mas com o sucesso de Shark Tank, o problema já não é em atrair talento mas sim em desvendar o que Mark Cuban chama gold diggers – empresas que concorrem e que à partida não querem chegar a um acordo, oferecendo uma percentagem demasiadamente pequena para que não seja atrativa. O que querem verdadeiramente é ter acesso à vasta audiência que o programa tem, funcionando como o melhor PR gratuito neste momento.

Aqueles 10 minutos do programa, um resumo de 1-2 horas de pitching que a audiência nunca vai ver, vale mais que qualquer um produto exposto noutro local. Um exemplo é Lani Lazzari (18 anos), que após ter apresentou o seu produto – Simple Sugars scrubs – conseguiu quase 1 milhão de USD em encomendas logo após a sua estreia em prime time.

A validação, ou due diligence, torna-se assim cada vez mais importante para filtrar estas empresas que querem tudo menos participar na possível negociação de equity para investimento. Num dos programas, Mark Cuban apanha um destes e não o poupa:

“You are so full of shit! That’s just bullshit! Capital is the least of your worries. Connections are the least of your worries. I’m being brutally honest because one of the problems we face here is that people come in here, and they know the power of the program. You’re too smart. The clincher for me was when Robert put up twice the amount you asked for at the same valuation, and you didn’t even put on one little bit of a smile. I’m out.” In DMagazine

Mas não são só os empreendedores que reconhecem o valor de Shark Tank – Mark Cuban já investiu em mais de 28 empresas no programa e somente uma é que falhou – uma percentagem inédita no mundo de startups. Na realidade, os sharks ainda têm o processo de due diligence após a oferta para verificar o negocio e 30% dos investimentos acabam por não acontecer – em grande parte pelo empreendedor e a alteração do negócio acordado. Só Mark Cuban tem uma equipa de 10 pessoas para gerir os investimentos que advêm do programa.

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