in Banca

Numa altura em que marketers e responsáveis pelas marcas deveriam ter percebido que vivemos na era da transparência, autenticidade e serviço ao cliente, a banca é novamente apontada como exemplo a não seguir.

Um estudo recente realizado na Austrália, efetuado pela People’s Choice Credit Union e comunicado num press release da Medianet, a maioria dos consumidores australianos não só considera a comunicação de bancos confusa, bem como enganadora. O relatório revela ainda que são muitos poucos aqueles que sabem interpretar, de forma correta, o conteúdo de carácter financeiro, encontrado na publicidade dos bancos.

Não será, pois, de estranhar que o mesmo possa acontecer em Portugal, dado que os bancos nacionais utilizam as mesmas táticas que os internacionais.

As instituições bancárias visadas são precisamente as mesmas que têm sido sistematicamente envergonhadas pelas suas práticas ilegais e imorais, ao ponto de terem que assumir a sua ação manipuladora dos valores da Libor (London Inter-Bank Offered Rate), a medida formal mundialmente adotada para calcular o custo de empréstimos entre bancos.

O facto de existirem 150 taxas diferentes calculadas diariamente pela Thomson Reuters para 15 períodos de empréstimo em 10 diferentes moedas, só demonstra a ousadia de quem decidiu manipular um dos mais importantes mecanismos financeiros.

O estudo vai mais longe quando revela o verdadeiro problema com a banca e a publicidade que a mesma promove:

  •  70,4% dos inqueridos consideram a publicidade dos bancos confusa;
  •  64,7% acreditam que os anúncios dos bancos “enganam”;
  •  Somente 1/3 dos inqueridos consideram os anúncios “honestos”;
  •  Apenas 26,4% acham os anúncios “claros”;

Peter Evans, Managing Director da empresa que encomendou o estudo acredita que a confusão criada leva a que os consumidores tomem as decisões erradas e que se continue a viver numa era em que a indústria financeira se pauta por concorrência ineficaz, na qual os clientes perdem mais.

O estudo não aborda, porém, a falta de confiança que o consumidor tem na banca, algo que pode ter influenciado negativamente os resultados desta pesquisa. Ou seja, para quem já não confia na banca, qualquer pergunta que inclua os termos “transparência”, “honestidade”, “claridade” e “enganadora”, condicionará, certamente, os resultados para o lado pretendido.

Seja como for, este estudo deverá preocupar os bancos que cada vez mais lutam, atualmente, pela venda de serviços que, num passado recente, recompensaram muitos com elevados resultados financeiros.

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