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Hoje é um grande dia, quer para a Apple, quer – infelizmente – para os seus concorrentes que acharam por bem antecipar, desta vez, o lançamento dos seus novos produtos da nova categoria – o dispositivo para o pulso – wearables.

Foi uma decisão arriscada e apressada, porém, na realidade, os “outros” pouco mais poderiam ter feito: ou aguardavam e perdiam a oportunidade, como foi o caso do iPhone e iPad, ou se antecipavam à próxima grande jogada da Apple.

Para quem não se lembra, andámos a ouvir rumores sobre o iPad durante dois anos, e hoje estamos prestes a recebermos notícias de Cupertino, referentes à nova categoria de wearables – 2 anos depois dos rumores terem começado sobre esta futura categoria de “insucesso”.

Decorridos pouco mais do que três anos após o lançamento do iPad, o qual fora promovido igualmente três anos após a introdução do iPhone, eis que assistimos a um novo ciclo de criação de novas categorias de produtos, jamais conseguidos por alguma outra empresa, muito menos com o sucesso da Apple. Mas tal não evitou que analistas e media acusassem a “falta de inovação” antevendo um futuro comprometido, após a morte de Steve Jobs – aparentemente, para estes, o único capaz de inovar na Apple.

Pois bem, cá estamos nós, novamente, na véspera de um grande lançamento da Apple, prestes a cometer o mesmo erro – criação de expectativas cada vez mais elevadas. E não será para menos, tendo em conta que serão lançados dois novos iPhones, de tamanhos diferentes, e um dispositivo de pulso em dois formatos, masculino e feminino, o qual se propõe desvendar o que todos os outros até hoje não conseguiram num só engenho – saúde, automatização da nossa casa e dispositivo central de comando para todos os aparelhos que vão estar conectados – the internet of things. Isto para não falar em pagamentos e tudo mais que nem imaginamos.

Um dispositivo masculino e um feminino – conseguem ver a simplicidade e confiança de uma marca que compreende o que está a fazer? Contraste evidente com todas as outras marcas que consideram que um Casio atualizado ou um ecrã redondo (com uma inexplicável barra negra) é o que o consumidor procura.

Moto 360 - a inexplicável linha preta

Moto 360 – a inexplicável linha preta – imagem: techradar.com

Enquanto esperávamos por este dispositivo aparentemente desnecessário, a Google ajudou, em muito, a demonstrar ao publico que outros formatos, ainda que arrojados, não iriam funcionar – Google Glass.

Só Robert Scoble – entusiasta nato de todas as tecnologias lançadas – é que nos quis convencer que o futuro era Glass, todavia, para ele, o futuro pertence a tudo quanto ele considera interessante no momento. Hoje, o futuro pertence novamente ao Facebook e nada mais.

Enquanto esperávamos que a Apple conseguisse construir o dispositivo de pulso que todos necessitamos, mas que ainda não sabemos, a empresa esteve a distrair-nos com o tablet, mais precisamente, o iPad.

Desde a primeira versão – aquela que ainda utilizo – a Apple já consegui vender mais de 200 milhões de iPads, introduzindo pelo caminho, o iPad mais pequeno que acabou por vender mais que o seu antecessor.

iPadSales

Total iPad Sales (Millions)

Mas o futuro não pertence ao tablet nem ao iPad, e acredito que se a Apple não o sabia na altura, está agora mais que ciente do que nunca que as suas apostas deverão centrar-se na combinação smartphone e dispositivo de pulso bem como a gama de computadores Mac Book Pro e Mac Book Air.

O smartwatch com todos os seus sensores e ligados ao smartphone, agora com um maior ecrã, fazem com que não seja necessário ter um tablet. Para aqueles que necessitam de trabalhar com algo maior ou mais potente, o Air ou o Pro servem perfeitamente, quer porque a sua bateria tem maior potência, quer porque nenhum destes computadores está afeto à indecisão e estratégia caótica da Microsoft. Todos livres de Windows.

Vamos conseguir controlar tudo com este novo dispositivo, utilizando o smartphone, que anda sempre connosco, e agora, com um maior ecrã, para leitura, visionamento de vídeos e para tirar fotografias de enorme qualidade. O processamento de peso é efectuado no smartphone, enquanto o dispositivo de pulso é utilizado para rapidez, conforto e gratificação instantânea.

Até a nossa carteira parece estar em risco de se tornar algo obsoleta. Imaginamos um mundo em que não temos de nos preocupar com a carteira, cartões de crédito, chaves de carro, casa e escritório; um mundo onde podemos monitorizar a nossa saúde, mesmo que a um nível mais holístico; onde podemos controlar todos os dispositivos que nos rodeiam, desde portas de garagens a entradas para concertos ou bilhetes de viagem. Não esqueçamos que este dispositivo dá-nos também as horas, algo que muitos menosprezam ou parecem ter esquecido que existe, se verificarmos o número elevado de pessoas que chega constantemente atrasado aos seus compromissos.

O tablet passará a ser um outro dispositivo que está em casa, mas que provavelmente, com tempo, vai ficar para a história como uma passagem brilhante da Apple, que a ajudou a angariar uma autêntica fortuna e que permitiu manter-nos ocupados enquanto trabalhavam na sua verdadeira inovação – the Apple of things – uma integração de todos os serviços possíveis num único ecossistema e em dispositivos que comunicam perfeitamente entre si. Falta só mesmo agora resolverem a Cloud – a sua iCloud.

Mas como todos os outros lançamentos, existem aqueles que preferem acreditar que a Apple não inova e só nos vende dispositivos demasiado caros. Seja como for, preparem-se para novos recordes de vendas, desta vez de uma nova categoria que não é assim tão nova – a verdadeira estratégia da Apple – fazer bem o que outros começam mal e não sabem acabar.

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