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Procrastinação. Pro-cras-ti-na-ção. Palavra horrível e dificilmente pronunciável que parece ser o nome de uma doença qualquer, o que aliás vendo bem não é muito longe da verdade.

Encontrei no outro dia uma app do Chrome, a “Motivation” que tenta ser minimamente mais original do que as milhares de soluções tech para combater a procrastinação: Cada vez que abrimos um novo separador aparece-nos um contador em tempo real que mostra a nossa idade a aumentar.

Com a evolução vertiginosa da tecnologia e do mundo digital nos últimos bons tempos é natural que hoje em dia se encontre uma plataforma ou uma app para praticamente qualquer que seja a necessidade, ou nalguns casos, comodismo.

A procrastinação, que sejamos sinceros pode muito bem traduzir-se por engonhar, ter preguiça e/ou falta de força de vontade, tem hoje em dia uma quantidade abismal de supostas soluções online que ajudam a combate-la.

É ir ao Google e ver o número de resultados para uma procura relacionada com o tema, em que especialistas e pseudo-especialistas escrevem posts com títulos que mais fazem lembrar os passos para deixar o alcoolismo ou algum tipo de droga:

“How to stop procrastinating in 16 steps”
“How I stopped procrastinating and I got back my happy life”
“7 Magical ways to stop procrastination”

Basta também ver as dezenas de plataformas online que afirmam que nos vão ajudar de vez, praticamente todas com a mesma lógica: Bloqueamos-te os sites que quiseres, durante o tempo que escolheres, para que te tornes mais produtivo.

Parece-me que grande parte das vezes a força de vontade que esses bloqueios dão é pura e simplesmente a de atirar o Pc contra a parede.

Passado um mês já não aplicamos metade das medidas que vinham nos livros e nos artigos, os prazos das tarefas no Trello já mudaram de cor umas três vezes, as apps que descarregámos já nos assustam só de pensar em abri-las e tentamos ignorar as notificações diárias de task overdue como qualquer fumador que já é imune aos anúncios anti-tabaco nos maços.

capacete isolador

O “capacete isolador”, criado em 1920 para afastar as distracções na altura de escrever.

Até que ponto é que nos refugiamos nestas soluções apenas por descargo de consciência? Ou achamos que é sem dúvida esse o incentivo milagroso que nos falta para mudarmos? Na verdade o problema está na nossa falta de foco e de força de vontade e essa vai continuar a mesma, quer nos tentemos iludir temporariamente com apps ou não.

Se não houvessem distracções na net íamos encontrá-las noutro lugar, usarmos tecnologia para nos limitar o uso de tecnologia é no mínimo irónico.

A força de vontade é algo que tem que partir de nós próprios, a tecnologia até pode ser um canal que complemente esse esforço mas por si só é insuficiente. Quanto à procrastinação mais vale finalmente assumirmos que nem sempre é possível manter o mesmo nível de produtividade e em lugar de o negarmos e arranjarmos teorias e ferramentas para nos forçarmos a combate-la, aceitarmos que mais vale fechar o Pc e voltar em força mais tarde.

“Procrastinate now. Don’t put it off.”

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