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The 4 Day Week by Ryan Carson

Escrito em direto – desculpas pelos erros etc.

Estamos a viver uma era de transformação a uma velocidade alucinante, em grande parte o resultado de Moore’s Law e os avanços na tecnologia. Mas para um mundo em que tudo muda constantemente, ainda existem demasiados preconceitos que as empresas têm uma enorme resistência em alterar. Uma delas é o tempo que passamos no trabalho – e a presença não implica eficiência nem trás obrigatoriamente resultados.

Este tipo de apresentação não trás nada de novo, mas é importante para aqueles que estão interessados em melhorar a qualidade da sua vida. Não de todo um lugar para cépticos. Alias, Ryan começa a sua apresentação a perguntar quem na audiência é um workaholic, viciado no trabalho, e alguns levantam o braço com orgulho – ele recomenda que saiam e procurem uma outra apresentação mais produtiva – esses mesmos mantêm-se sentados, questionando-se porque raio decidiram participar…

Ryan acredita que existe algo muito errado com a cultura de startups nos Estados Unidos quando se vê a maioria de empreendedores a trabalhar 6-7 dias por semana, dedicando todos os seus ciclos cerebrais à empresa. Quando vim para a conferência e falava com o taxista Búlgaro há 2 anos e meio em Las Vegas, essa era a única critica de trabalhar os EUA – a tremenda pressão para atingir resultados – sempre – obrigando a maioria a convencer-se que o tempo é demasiado pouco.

Na sua startup, Treehouse, todos trabalham 4 dias por semana – nada mais, nada menos, e não depende na cargo de trabalho. Às 17:30 vão todos para casa. Não se trata de fingir nem é permitido ir para casas e terminar o trabalho às escondidas. O trabalho de startups, mais intelectual que manual é muito diferente ao trabalho industrial de produção – manufacturing. Mais uma hora no computador não lhe vai trazer mais $1000 em lucros.

Mas será possível um dia trabalharmos 4 dias por semana em vez de 5?

O desafio é que estamos sempre a ficar sem tempo. E Ryan não está a falar do quotidiano mas sim da eventualidade que estamos todos a ficar mais velhos e não podemos focar somente no trabalho. Uma coisa é certa – dinheiro não compra o tempo. Muitos até podem criar empresas que valem fortunas mas isso normalmente não lhes confere a qualidade de vida que todos procuramos.

O objetivo dos 4 dias é de trabalharmos de forma mais inteligente e com maior eficiência. A ironia é que é isto que estamos agora a ensinar aos nossos filhos no estudo – não vale a pena passarem horas sem fim à frente dos livros – melhor estudar durante 45 minutos e ir fazer algo divertido durante 15. O conceito do exercício também está a mudar com inúmeros programas a surgirem com resultados rápidos e verdadeiros. Meia hora intensa, com exercícios específicos que trabalham os músculos de múltiplas formas é muito mais eficiente que a hora e meia no ginásio a passear de máquina para máquina parando para observar o belo trabalho.

Não é uma questão de trabalhar secretamente de sexta a domingo. Estarmos cansados é mau planeamento e de certa forma preguiçoso. É uma questão de controlar as nossas vidas. Podemos pensar no que fazemos mas isso não é trabalhar – não é ver emails, responder a telefonemas.

Mas esta estratégia de trabalhar menos um dia por semana está também ajudar a reter os melhores colaboradores destas empresas. Eles não trabalham 10 horas em 4 dias mas sim as mesmas 8 horas mas com a vantagem de ter mais 50% de tempo livro no fim de semana.

Mas nada disto deveria ser questionável especialmente para quem tem consciência da qualidade do seu trabalho durante o dia. Eu por exemplo, levanto-me às 06:30 e estou no trabalho por volta das 08:30. O meu dia acaba às 20h00 aconteça o que acontecer e não me peçam para analisar números depois das 18:00 – o meu cérebro está já demasiado cansado para conseguir ter os resultados pretendidos.

Os clientes destas empresas não vão obviamente ficar sem suporte ou apoio de sexta a domingo – é uma questão de logística e de turnos mas ninguém trabalha mais que as 32 horas por semana. É uma regra sagrada. Eles não trabalham horas extras.

A eficiência também necessita de ferramentas – utilizam Asana para uma redução de email e Hipchat para comunicação interna. O que acho mais importante é a sua filosofia de deixar as pessoas trabalhar, ou seja de alertar para a falta de produtividade para quem é interrompida sistematicamente com emails, telefonemas e colegas que vêm colocar perguntas desnecessárias, ou pelo menos pouco urgentes.

Não existe grande magia aqui – time is money. A pergunta é se quer mesmo mais tempo e o que vai fazer com ele – acredito que isso deve arrepiar algumas pessoas.